HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO
HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Vendas do varejo despencam 10,3%, maior queda para janeiro desde 2001

Puxado por móveis e eletrodomésticos, recuo foi a décimo seguido na comparação com o mesmo mês do ano anterior; ante dezembro, queda foi de 1,5%

Daniela Amorim, O Estado de S. Paulo

10 de março de 2016 | 09h21

As vendas do comércio varejista recuaram 10,3% em janeiro na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a décima variação negativa consecutiva e  o pior resultado para o mês desde o início da série da Pesquisa Mensal de Comércio, em 2001. Considerando todos os meses, a queda no volume vendido foi a mais acentuada desde março de 2003, quando teve retração de 11,4%. 

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), todas as oito atividades do varejo tiveram variações negativas nessa base de comparação, com destaque para móveis e eletrodomésticos (-24,3%, a maior queda da série). "Móveis e eletrodomésticos têm uma dinâmica mais ligada a crédito, que está mais caro e mais restrito", destaca Isabella Nunes, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE. 

O segundo maior impacto veio da queda de 5,8% nas vendas dos Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, seguido por Combustíveis e lubrificantes, com redução de 14,1% - também a mais acentuada da série histórica para a atividade. "A queda de supermercados está muito associada à renda. A evolução dos preços dos alimentos está acima do índice geral de preços. A pressão inflacionária nesse segmento faz com que os consumidores se ajustem a marcas mais baratas. Consequentemente, o volume de receitas do segmento cai", explicou Isabella. Em relação a dezembro, os supermercados caíram 0,9%. Já são três meses consecutivos de taxas negativas no setor, período em que acumulou perda de 3,7%.

Já o grupo de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, com -0,2%, ficou praticamente estável em relação a janeiro de 2015 e teve o melhor desempenho. No acumulado em 12 meses, o varejo registra queda de 5,2%, também o maior porcentual desde 2001.

O IBGE destaca que o mês de janeiro de 2016 teve apenas 20 dias úteis, um a menos que janeiro de 2015. No entanto, a generalização dos resultados negativos mostra que o efeito calendário não pesou de forma tão significativa.

"O resultado está suportado por um desempenho negativo de várias atividades", afirmou Isabella. "O mês de janeiro tradicionalmente não é bom para as vendas, porque concentra a maior parte das férias e do pagamento de tributos. Mas este mês de janeiro acabou sendo o mais negativo da série histórica", complementou a pesquisadora.

Na comparação com dezembro, por sua vez, as vendas caíram 1,5%. Nesse confronto, apenas duas atividades escaparam de uma retração nas vendas: os artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (+0,1%) e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (+1,6%).

O principal destaque negativo ficou igualmente com o grupo de móveis e eletrodomésticos (-4,3%). O setor de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo também recuou: -0,9%. 

Quanto ao varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção e de veículos, as vendas caíram 1,6% em janeiro ante dezembro do ano passado, na série com ajuste sazonal. Já na comparação com janeiro de 2015, sem ajuste, as vendas tiveram baixa de 13,3%. Até janeiro, a queda acumulada em 12 meses é de 9,3%.

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