Marlon Costa|Estadão
Marlon Costa|Estadão

Vendas no varejo caem 1,9% e têm pior março em 14 anos

Na comparação com o mesmo mês do ano passado, queda foi de 4%; resultado decepcionou analistas

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2017 | 09h10

RIO E SÃO PAULO -  O varejo registrou mais um mês de perdas em março. A queda nas vendas alcançou 1,9% em relação a fevereiro, o pior desempenho em 14 anos, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Comércio, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

O resultado foi ainda pior do que as previsões mais pessimistas coletadas pelo Projeções Broadcast, que estimavam um recuo de cerca de 0,60%. Apesar da decepção com as quedas de março e de fevereiro (que ficaram mais acentuadas após revisão), o avanço expressivo de janeiro fez as vendas registrarem alta de 3,3% no fechamento do primeiro trimestre de 2017 ante o quarto trimestre do ano passado, o que manteve a expectativa de alta do Produto Interno Bruto (PIB) no período.

“A queda do varejo em março em relação a fevereiro foi contaminada por supermercados. Há condições para alta do PIB perto de 2% este ano. O setor industrial continua indo bem”, argumentou o economista Helcio Takeda, da consultoria Pezco Microanalysis.

As vendas do setor de supermercados recuaram 6,2% em março ante fevereiro, a queda mais aguda da série histórica, iniciada em 2000. “O mercado de trabalho prejudica o desempenho dos supermercados, que estão vendendo menos. Apesar de os preços estarem diminuindo, eles não estão conseguindo recuperar o consumo”, justificou Juliana Vasconcellos, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.

A magnitude de queda nas vendas dos supermercados surpreendeu economistas como Igor Velecico, do Banco Bradesco. Segundo ele, o consumo está mesmo recuando, como reflexo do que ocorre no mercado de trabalho. A expectativa permanece de avanço no PIB do primeiro trimestre, mas o resultado positivo será sucedido por uma taxa negativa no trimestre seguinte.

“Os dados do início do ano deixaram o mercado financeiro mais otimista, mas agora indicam um processo mais devagar (de retomada). A indústria já está em ritmo de estabilização, mas outros setores demoram mais, como o varejo. O saldo líquido do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho) ainda está negativo”, explicou Velecio.

Do quarto trimestre de 2016 para o primeiro trimestre de 2017, houve melhora quase generalizada no varejo. Só duas atividades permaneceram no vermelho: equipamentos para escritório, informática e comunicação (-5,6%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (-2,9%).

No varejo ampliado, que inclui as vendas de veículos e material de construção, houve crescimento de 3,1% no primeiro trimestre de 2017 ante o último trimestre do ano passado. As vendas de veículos subiram 1,3%, enquanto material de construção cresceu 5,8%.

 

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