Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Vendas do varejo caem pela terceira vez consecutiva em julho, aponta IBGE

Queda no mês foi de 0,5% e de 1% em relação ao ano passado; setor já vinha de duas quedas consecutivas nas vendas, de 1,4% em maio e de 0,4% em junho

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2018 | 09h00

RIO - As vendas do varejo em julho caíram 0,5% em relação a junho, informou nesta quinta-feira, 13, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este é o terceiro resultado negativo consecutivo, acumulando assim perda de 2,3% entre os meses de maio e julho. Curiosamente, no ano, o setor avançou, exatamente, 2,3%.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior (julho de 2018 ante julho de 2017), sem ajuste sazonal, as vendas do varejo tiveram queda de 1,0% e, assim, interromperam uma sequência de 15 altas seguidas nessa base de comparação.

 

Quanto ao varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção e de veículos, as vendas caíram 0,4% em julho ante junho. Na comparação com julho de 2017, sem ajuste, as vendas do varejo ampliado tiveram alta de 3,0% em julho de 2018.  As vendas do comércio varejista ampliado acumularam alta de 5,4% no ano. Em 12 meses, o resultado foi de avanço de 6,5%.

Greve dos caminhoneiros

A greve dos caminhoneiros deixou marcas nas vendas do varejo até julho. Segundo a gerente da Coordenação de Comércio e Serviços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Isabella Nunes, nenhuma das atividades do varejo investigadas na Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) recuperou o nível de antes da paralisação. "Se comparar julho com abril nada se recupera", afirmou Isabella.

Para a pesquisadora, a greve de maio foi um "evento que impactou". Além disso, em junho houve impactos indiretos da greve, que desgastou a confiança dos consumidores, trazendo "cautela e conservadorismo nos gastos das famílias".


Resultado vem pior que o esperado

Após dois meses consecutivos de queda nas vendas, de 1,4% em maio e de 0,4% em junho (dado já revisado), a maioria das expectativas do mercado indicava expansão do comércio. O resultado, porém, veio abaixo das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que esperavam desde uma queda de 0,40% a um avanço de 1,10%, com mediana positiva de 0,3%.

Antes do resultado oficial, a analista da Tendências Consultoria Isabela Tavares previa alta de 0,70% das vendas devido ao desempenho do setor de supermercados, que subiu 1,7%, segundo o dado divulgado nesta quinta. "Foi o setor mais afetado em junho, por causa da restrição de oferta e repique de preços provocados pela greve dos caminhoneiros, o que prejudicou as vendas", explicou. 

A equipe econômica do Bank of America (BofA) Merrill Lynch estimava recuo de 0,10% das vendas do varejo restrito de julho, justamente devido ao crescimento mais fraco em supermercados - setor que representa cerca de 50% da PMC restrita. Por outro lado, cita o BofA em nota, outros indicadores coincidentes, continuam se recuperando na margem após a greve dos caminhoneiros. Em relação a julho de 2017, a instituição estima aumento de 1,0% nas vendas do varejo.

Queda ocorreu em cinco das oito atividades pesquisadas

A queda de 0,5% nas vendas do varejo restrito em julho ante junho decorreu da baixa em cinco das oito atividades pesquisadas pela Pesquisa Mensal de Comércio (PMC). 

O destaque foi a pressão negativa exercida pelos setores de Móveis e eletrodomésticos (-4,8%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-2,5%) e Tecidos, vestuário e calçados (-1,0%). Segundo o IBGE, esses setores pesam 30,0% do total do varejo. Também caíram Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-2,7%) e Livros, jornais, revistas e papelaria (-0,9%). 

Na contramão, houve alta nas atividades de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,7%) e Combustíveis e lubrificantes (0,4%). Segundo o IBGE, esses setores devolveram, em julho, parte das perdas registradas no mês anterior, respectivamente, de -3,6% e -1,9%, enquanto as vendas do segmento de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,1%) praticamente ficaram estáveis nessa comparação. 

No varejo ampliado, a venda de veículos caiu 0,8% ante junho. Segundo Isabella Nunes, gerente da Coordenação de Comércio e Serviços do IBGE, o movimento foi de correção, em relação à alta de 15,8% de junho ante maio, que se seguiu uma queda de 15,9% em maio ante abril. Já as vendas de material de construção caíram 2,7% ante junho. 

Para Isabella, o resultado de julho das vendas do varejo mostra "perda de ritmo". "A percepção dos consumidores vem se deteriorando", afirmou Isabella, citando a alta informalidade no mercado de trabalho como um dos motivos para os consumidores ficarem "mais cautelosos nos seus gastos"

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