Vendas do varejo crescem 1,36% no semestre em SP

O faturamento do comércio varejista da região metropolitana de São Paulo cresceu 1,36% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), o resultado não representa uma reação do comércio, mas apenas a base de comparação forte relativa aos primeiros quatro meses do ano. No primeiro quadrimestre, as vendas tinham crescido 6%, de acordo com a Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV) da Fecomercio. Este período, em 2002, foi muito fraco em vendas, influenciando então os números deste ano. A recuperação veio em seguida, afetando os resultados dos meses seguintes. Em junho, os varejistas registraram uma queda média de 6,75%, em relação a igual mês anterior. Em maio, a queda foi de 8,5%. Os resultados foram puxados pelo desempenho do comércio de bens não-duráveis, que, junto com o de materiais de construção, foram os únicos que registraram variação positiva, refletindo basicamente o desempenho dos supermercados que até abril passaram ao largo da crise, mas começaram a senti-la a partir de maio. Enquanto os não-duráveis ficaram com 10% de variação positiva, os outros grupos registraram quedas de 9,42% (duráveis); 15,06% (semi-duráveis); e 4,71% (comércio automotivo). Já os materiais de construção subiram 14,26%. Neste caso, na avaliação dos economistas da Fecomercio SP, o ganho foi viabilizado por um repasse de preços acima da média, por causa da pressão de custos no segmento. O cenário do primeiro semestre foi caracterizado pela forte redução do poder de compra da população, o aumento do desemprego e os altos juros, que restringiram o consumo apenas ao que é considerado essencial, como alimentos, produtos de higiene e remédios. Os segmentos de roupas, calçados e tecidos, junto com móveis e eletrodomésticos foram os mais penalizados. Só em junho, os semiduráveis caíram 23,5%, com destaque para a redução de 24,3% do vestuário e de calçados, influenciados também pelo atraso do inverno. Já com relação aos duráveis, o ritmo de queda - em janeiro a retração tinha sido de 19,5% - foi reduzido por conta da base de vendas do grupo ter atingido, talvez, os níveis mínimos de consumo. As lojas de departamentos lideram as baixas, com queda de 23,21% em junho e 19,57% no semestre. No comércio automotivo, enquanto as concessionárias amargam uma perda de 9,07%, as autopeças conseguiram contabilizar uma elevação de 20,5%, mostrando que o consumidor está preferindo reparar os automóveis que já têm, ao invés de comprar um novo. Para a assessoria econômica da Fecomercio, o faturamento dos varejistas deverá seguir a trajetória negativa no segundo semestre. Fatores como a redução da inflação e a possibilidade de queda nas taxas de juros não serão suficientes para a retomada do nível de atividades ainda neste ano, e se espera até um desempenho negativo do comércio em 2003. Em 2002, o setor obteve crescimento de 1,26% em relação ao ano anterior.

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