Tiago Queiroz/Estadão 3/4/2020
Tiago Queiroz/Estadão 3/4/2020

Supermercados puxam alta de 0,6% nas vendas de varejo de novembro ante outubro

Setor recuou 4,2% na comparação anual, queda mais acentuada para o mês desde 2015

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2022 | 09h15

RIO - Impulsionado pelas vendas dos supermercados, o comércio varejista ficou no azul em novembro. O volume vendido no varejo subiu 0,6%, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Comércio, divulgados nesta sexta-feira, 14, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Se a gente reparar nesse dado da margem [série com ajuste sazonal], ele é um dado sendo ancorado por uma atividade muito forte, que é supermercados", apontou Cristiano Santos, gerente da pesquisa do IBGE. "Na verdade, cinco das atividades pesquisadas tiveram variação negativa no volume", frisou.

O desempenho mais fraco das vendas na campanha de promoções da Black Friday e a inflação ainda elevada no País impediram um resultado mais favorável, observou Cristiano Santos. Apenas três das oito atividades pesquisadas registraram avanços no mês.

“Com os números de novembro, temos uma fotografia melhor para a atividade no varejo do que o esperado anteriormente”, avaliou a economista-sênior da gestora de fundos AZ Quest, Mirella Hirakawa, reconhecendo, porém, que a composição foi menos benigna entre as atividades que integram o comércio varejista do que a mostrada pela Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), também do IBGE.

O volume de serviços prestados avançou 2,4% em novembro ante outubro, com expansão em quatro das cinco atividades que integram a PMS. Já a indústria registrou queda de 0,2% na produção na passagem de outubro para novembro, com perdas em 12 dos 26 ramos pesquisados, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal, todas do IBGE.

Os dados positivos para o varejo e para os serviços no mês de novembro eliminaram o viés de baixa que rondava a projeção da GO Associados para o Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre, de alta de 0,1%, de acordo com Lucas Godoi, economista da consultoria. Os números divulgados indicam um crescimento de 0,30% do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) em novembro, o que seria o primeiro número positivo desde junho, estima Godoi. Para ele, o Natal e o recebimento do 13º salário ainda podem fazer o varejo crescer também em dezembro.

A GO Associados projeta um crescimento de 4,7% do PIB de 2021, seguido por um avanço de 1,1% em 2022, a despeito dos desafios econômicos e de um ano eleitoral.

“Estamos otimistas para este ano, pensando que podemos conseguir esse voo de galinha e fechar com uma alta deste nível”, opinou Godoi.

Queda em cinco atividades

No varejo, houve queda na venda em cinco das oito atividades: móveis e eletrodomésticos, com (-2,3%); tecidos, vestuário e calçados, (-1,9%). combustíveis e lubrificantes, (-1,4%); livros, jornais, revistas e papelaria, também com (-1,4%); e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, (-0,1%).

O setor de artigos de uso pessoal e doméstico foi o que apresentou maior alta, com 2,2%, seguido de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (1,2%) e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,9%)

“Atividades que têm Black Friday forte apresentaram queda no volume”, observou Cristiano Santos, do IBGE, apontando como exemplo os segmentos de móveis e eletrodomésticos e de tecidos, vestuário e calçados.

No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, houve elevação de 0,5% em novembro ante outubro. O segmento de Veículos, motos, partes e peças registrou alta de 0,7%, enquanto Material de construção subiu 0,8%.

Recuo na comparação anual

Na comparação com novembro de 2020, o comércio varejista teve um recuo de 4,2% em novembro de 2021, o mais acentuado para o mês desde 2015, quando encolheu 7,8%. Sete das oito atividades registraram perdas. No varejo ampliado, as vendas caíram 2,9%. O segmento de veículos cresceu 1,7%, mas material de construção caiu 4,1%.

Santos lembra que a base de comparação de novembro de 2020 era muito elevada, o que também contribui para as vendas ficarem em patamar mais baixo este ano. “Há também um componente inflacionário afetando bastante algumas atividades”, acrescentou o pesquisador do IBGE.

A Black Friday mais fraca em 2021 contribuiu com -0,8 ponto porcentual para a queda de 4,2% nas vendas do varejo em relação a novembro de 2020. No varejo ampliado, essa contribuição negativa foi de 0,7 ponto porcentual para o recuo de 2,9% no volume vendido, calculou o IBGE.

Volume de vendas

O volume de vendas do varejo chegou a novembro 1,2% acima do nível de fevereiro de 2020, no pré-pandemia. No varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, as vendas operam 1,9% aquém do pré-pandemia. No entanto, apenas os segmentos de artigos farmacêuticos, material de construção, outros artigos de uso pessoal e doméstico e supermercados estão operando acima do patamar pré-crise sanitária.

O segmento de artigos farmacêuticos opera em patamar 13,2% acima do pré-crise sanitária; material de construção, 12,6% acima; outros artigos de uso pessoal e domésticos, 11,1% acima; e supermercados, 1,7% acima.

Os veículos estão 5,9% aquém do nível de fevereiro de 2020; móveis e eletrodomésticos, 14,8% abaixo; vestuário, 7,5% abaixo; combustíveis, 12,5% abaixo; equipamentos de informática e comunicação, 12,8% abaixo; e livros e papelaria, 37,7% abaixo.

“Continua tendo essa heterogeneidade em termos de crescimento das atividades do varejo e também do varejo ampliado”, reconheceu Santos. “Está bastante desigual realmente ainda, e não tenho certeza se voltará a ser igual no futuro, ou mais homogêneo ao menos”, concluiu.

(Colaboraram Cícero Cotrim e Marianna Gualter)

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