Hélvio Romero / Estadão
Hélvio Romero / Estadão

Vendas do varejo ficam estáveis em fevereiro ante janeiro, aponta IBGE

Resultado veio ligeiramente abaixo do estimado pelos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que esperavam desde uma queda de 1,40% a um avanço de 1,00%

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2019 | 09h14
Atualizado 09 de abril de 2019 | 13h28

RIO - As vendas do comércio varejista ficaram estáveis (0,00%) em fevereiro ante janeiro, na série com ajuste sazonal, informou nesta terça-feira, 9, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com a estagnação,  manteve-se o patamar de vendas 6,6% abaixo do ponto mais alto da série, alcançado em outubro de 2014, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Comércio, do IBGE.

Em dezembro de 2016, as vendas chegaram a ficar 13,4% abaixo do ápice da série histórica, iniciada em 2000.

"Estagnou em relação a janeiro, mas a gente não pode deixar de observar que houve crescimento antes. A gente não pode ignorar todo esse esforço que o varejo fez para recuperar (desde dezembro de 2016)", ponderou Isabella Nunes, gerente da Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE.

O resultado veio ligeiramente abaixo da mediana (0,10%) estimada pelos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que esperavam desde uma queda de 1,40% a um avanço de 1,00%.

Na comparação com fevereiro de 2018, sem ajuste sazonal, as vendas do varejo tiveram alta de 3,9% em fevereiro de 2019. Nesse confronto, as projeções iam de uma elevação de 1,40% a 6,00%, com mediana positiva de 3,00%. 

Acumulado

As vendas do varejo restrito acumularam crescimento de 2,8% no ano. No acumulado em 12 meses, houve avanço de 2,3%. "Atividades que dependem de uma renda mais folgada das famílias não estão mostrando retomada (para o território positivo em 12 meses), só as atividades básicas. É uma característica do varejo atualmente", apontou Isabella Nunes. "A palavra estabilidade está muito presente nos resultados de fevereiro do varejo", completou.

Segundo a pesquisadora do IBGE, a recuperação no setor ainda é lenta em resposta a um mercado de trabalho com geração modesta de empregos. "A taxa de desocupação cresceu nesse mês de fevereiro, um milhão de desocupados a mais. A massa (salarial) está estável, por conta de uma reposição do salário mínimo. Se você não tem geração de empregos virtuosa, nem em quantidade nem em qualidade, o comércio reage. A inflação está mais comportada do que no ano anterior, tem vários grupamentos com menor inflação, mas ainda assim a massa de salários que circula na economia não cresce", ressaltou Nunes

Quanto ao varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção e de veículos, as vendas caíram 0,8% em fevereiro ante janeiro, na série com ajuste sazonal. O resultado também veio pior que a mediana (-0,3%) das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que esperavam desde um recuo de 2,20% a uma alta de 5,30%. As vendas de Veículos, motos, partes e peças caíram 0,9%, enquanto o setor de Material de construção teve redução de 0,3%.

Na comparação com fevereiro de 2018, sem ajuste, as vendas do varejo ampliado tiveram alta de 7,7% em fevereiro de 2019. Nesse confronto, as projeções variavam desde um recuo de 1,90% a uma alta de 10,80%, com mediana positiva de 7,80%.

As vendas do comércio varejista ampliado acumularam alta de 5,4% no ano. Em 12 meses, o resultado foi de avanço de 4,9%.

Já o índice de média móvel trimestral das vendas do comércio varejista restrito teve queda de 0,6% em fevereiro de 2019. No varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, o índice de média móvel trimestral das vendas registrou redução de 0,5% em fevereiro.

Quatro atividades do varejo em alta

Quatro entre as oito atividades do varejo registraram avanços nas vendas em fevereiro ante janeiro, apontou o IBGE. Na média global, houve estabilidade (0,0%) no volume de vendas.

Entre os setores em expansão, o destaque foi para Tecidos, vestuário e calçados (4,4%), seguido por Outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,0%), Livros, jornais, revistas e papelaria (0,2%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,1%).

As perdas ocorreram em Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,7%), Combustíveis e lubrificantes (-0,9%), Móveis e eletrodomésticos (-0,3%) e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-3,0%).

As vendas dos supermercados, atividade com maior peso na pesquisa, foram prejudicadas por uma elevação nos preços dos alimentos, informou Isabella Nunes, do IBGE. "Os preços afetaram o desempenho de supermercados tanto na comparação com ajuste sazonal quanto na interanual", observou ela.

Revisão de dados

O IBGE revisou o resultado das vendas no varejo ampliado em dezembro de 2018 ante novembro, de uma queda de 1,7% para um recuo de 1,8%. O dado de novembro ante outubro foi revisto de alta de 1,3% para 1,4%. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) referente a janeiro de 2019, divulgada nesta terça pelo IBGE. 

 

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