Vendas do varejo nos EUA caem em dezembro

As vendas no varejo nos Estados Unidos caíram 2,7 por cento em dezembro, mostraram dados do governo nesta quarta-feira. Os números ressaltaram a deterioração do clima econômico que forçou consumidores a reduzirem gastos durante a temporada de compras de fim do ano. O Departamento do Comércio informou que as vendas totais no varejo caíram para um valor ajustado sazonalmente de 343,2 bilhões de dólares no último mês, fazendo com que as vendas de 2008 registrassem queda de 0,1 por cento. Os dados são os mais recentes de uma série que sugere que a recessão que dura um ano está se aprofundando e poderá ser a mais longa desde a contração de 1981, que durou 16 meses. A queda de dezembro foi a maior desde outubro do último ano, quando as vendas caíram 3,4 por cento. Em comparação com o mesmo período há um ano, as vendas mergulharam a um ritmo recorde de 9,8 por cento, superando o recorde de queda de todos os tempos de 8,2 por cento em novembro. "A economia está vislumbrando uma trajetória de declínio muito forte. Isso mostra uma queda na renda familiar e na criação de empregos. Isso mostra um choque na confiança do consumidor", disse Jim Demasi, estrategista-chefe de renda fixa do Stifel Nicolaus & Co. O declínio da renda, o aumento do desemprego e o aperto nas condições de crédito, além de um cenário econômico obscuro, forçou consumidores a cortarem gastos fortemente. O gasto de consumidores representa cerca de um terço da atividade econômica dos Estados Unidos. Ao se excluir veículos, as vendas registraram queda recorde de 3,1 por cento, após declínio revisado de 2,5 por cento em novembro, informado previamente como de 1,6 por cento, segundo o departamento. As vendas totais, sem automóveis, subiram 3 por cento em 2008. Analistas pesquisados pela Reuters previam que as vendas no varejo em dezembro cairiam 1,2 por cento. Para o dado sem os números de veículos, a estimativa era de queda de 1,3 por cento. As bolsas de valores dos Estados Unidos abriram em forte queda, com o índice S&P 500 registrando desvalorização de mais de 3 por cento à tarde. Os Treasuries se valorizaram. ESTOQUES CAEM Reforçando a perspectiva econômica pessimista, os estoques empresariais caíram 0,7 por cento em novembro, o declínio mais profundo desde novembro de 2001, quando caíram 1,1 por cento. Esta queda foi levemente pior que as previsões de analistas, de retração de 0,5 por cento. O declínio dos estoques poderá reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre. "É um quadro bem ruim. É consistente com a visão de que é provavelmente comparável com as grandes recessões que tivemos nas décadas de 1970 e 1980", disse Scott Brown, economista chefe do Raymond James & Associates, na Flórida. As vendas no varejo foram puxadas para baixo pressionadas pela queda na comercialização de gasolina, que despencou 15,9 por cento, após terem mergulhado a um ritmo recorde de 18,3 por cento em novembro. As vendas em lojas de departamento caíram 2,3 por cento em dezembro, após um ganho de 1,7 por cento em novembro. Marcando o agravamento da crise, tanto os preços de importados quanto os de produtos exportados caíram pelo quinto mês seguido em dezembro, informa um relatório do Departamento de Trabalho. Os preços de importados caíram 4,2 por cento, após terem recuado 7,0 por cento em novembro, de acordo com percentual revisado. A queda de dezembro foi menor que o declínio esperado por analistas de Wall Street, de 5,3 por cento. Mas pelo lado positivo, pedidos de hipotecas aumentaram na última semana, impulsionados por um aumento na demanda por refinanciamento. A redução da taxa de juro pelo Federal Reserve para próxima de zero e a promessa de garantia de liquidez aos mercados financeiros são fatores que estão ajudando a diminuir as taxas de hipoteca. Entretanto, as baixas taxas de empréstimos hipotecários ainda precisam se mostrar capazes de aumentar a demanda por empréstimos para a compra de casas. Uma associação de bancos de hipoteca informou que o seu índice que mede concessão de hipotecas para a compra de novas residências caiu 14,1 por cento na última semana.

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