Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Vendas do varejo sobem 0,6% em fevereiro ante janeiro, aponta IBGE

Na comparação com fevereiro de 2020, sem ajuste sazonal, as vendas do varejo tiveram baixa de 3,8% em fevereiro de 2021

Daniela Amorim, Maria Regina Silva e Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2021 | 09h38
Atualizado 13 de abril de 2021 | 19h58

RIO E SÃO PAULO - Após três meses sem crescimento, as vendas do comércio varejista aumentaram 0,6% em fevereiro ante janeiro, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Comércio divulgados nesta terça-feira, 13, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Especialistas alertam, porém, que o desempenho de março deve ser negativo, em um cenário de endurecimento de medidas restritivas para combate à pandemia de covid-19 País afora. 

 

"O ajuste sazonal demanda cautela, há variações atípicas, como um mês de fevereiro que não teve carnaval. Vemos o resultado um pouco pior, com reflexo da piora da pandemia, do fim temporário do auxílio emergencial e do aumento da inflação, que diminui o volume de compras das famílias", enumerou a economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, que espera um recuo nas vendas em março, o que pode levar o varejo a fechar o primeiro trimestre de 2021 com queda de até 1% em relação ao mesmo período do ano passado.

O retorno do auxílio emergencial em abril, embora com valor e alcance menores que no ano passado, sugere uma perspectiva melhor para o mês seguinte, observa Gustavo Cruz, estrategista da gestora de recursos RB Investimentos.

"Tem vários estudos que realmente mostram que teve uma correlação bem forte do auxílio com o varejo e provavelmente voltará a ter impacto positivo em abril, mas março será o patinho feio do ano, podendo março ser o pior resultado do mês por causa das novas paralisações (da atividade econômica por causa da piora na pandemia)", avalia Cruz.

Na passagem de janeiro para fevereiro, quatro das oito atividades que integram o comércio varejista restrito registraram expansão nas vendas: Livros, jornais, revistas e papelaria (15,4%), Móveis e eletrodomésticos (9,3%), Tecidos, vestuário e calçados (7,8%) e Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,8%). Todos esses segmentos vinham de perdas expressivas em meses anteriores, frisou Cristiano Santos, gerente da pesquisa do IBGE. No caso de supermercados, a inflação de alimentos deu uma trégua em fevereiro, enquanto que a volta às aulas ajudou o desempenho de livros e papelaria.

As perdas ocorreram nas atividades de Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,5%), Combustíveis e lubrificantes (-0,4%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-0,4%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-0,2%).

"O resultado de combustíveis e lubrificantes foi pressionado por um aumento de preços de combustíveis. Tem um elemento nesse setor que é a inflação", justificou Santos. “O setor também é influenciado pela pandemia. Houve redução na circulação de pessoas, e isso tem reflexo até agora", completou.

No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, houve elevação de 4,1% no volume vendido em fevereiro ante janeiro. As vendas de Veículos, motos, partes e peças aumentaram 8,8%, enquanto as de Material de construção subiram 2,0%.

"A trajetória de veículos automotores é sim um reajuste. Algumas oportunidades de preços em queda podem ter contribuído para que esse valor de fevereiro venha um pouco acima, mas ainda está abaixo do patamar de fevereiro, do pré-pandemia. O setor de veículos não se recupera da mesma maneira que material de construção", lembra o gerente da pesquisa do IBGE. 

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