Nilton Fukuda/Estadão - 28/11/2019
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Vendas do varejo sobem 0,6% em novembro e esfriam expectativa para PIB

Resultado do mês em 2019, na comparação com novembro de 2018, sem ajuste sazonal, representa alta de 2,9%

Daniela Amorim, Thaís Barcellos e Cícero Cotrim, O Estado de S. Paulo

15 de janeiro de 2020 | 09h11
Atualizado 15 de janeiro de 2020 | 23h48

RIO - A Black Friday impulsionou as vendas do comércio varejista brasileiro em novembro, mas o desempenho ficou aquém das expectativas de analistas do mercado financeiro, que esperavam mais. A decepção conteve o otimismo com o ritmo de recuperação da atividade econômica em 2020, diminuindo as chances de um crescimento no Produto Interno Bruto (PIB) muito além de 2,5%, apontaram alguns economistas.

O mercado financeiro repercutiu a fraqueza do desempenho do varejo. Na contramão de outras moedas emergentes, o dólar subiu 1,30% e fechou cotado a R$ 4,18, maior valor desde 5 de dezembro de 2019. O Ibovespa, principal indicador de Bolsa paulista, caiu 1,04%.

O volume vendido pelo varejo cresceu 0,6% em novembro em relação a outubro. Foi o sétimo mês seguido de avanços, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entretanto, economistas ouvidos pelo Projeções Broadcast esperavam o dobro desse resultado, uma alta mediana de 1,20%.

Somados à frustração com a produção industrial (-1,2%) e com os dados dos serviços (-0,1%) no mesmo período, os números do penúltimo mês de 2019 têm o potencial de reduzir as projeções para o PIB do quarto trimestre, assim como o do ano fechado, que deve ficar em torno de 1,0%. Economistas ponderam, porém, ser necessário observar o comportamento do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de novembro para “calibrar” as expectativas.

“Acredito que, se parte dos economistas pensava em revisar seus números (para o PIB de 2020) para além de 2,5%, esses dados contêm de certa forma isso. Acho que hoje estamos mais próximos de um crescimento entre 2,0% e 2,5% do que entre 2,5% a 3,0%”, avaliou a economista Ariana Zerbinatti, do Bradesco. “A nossa recuperação ainda é gradual”, completou.

“O dado do varejo contém a euforia, mas a direção está dada, e devemos crescer perto de 2,50% em 2020”, reforçou o economista-chefe do Haitong, Flávio Serrano.

Liquidações

Na passagem de outubro para novembro, apenas metade das atividades do comércio varejista registrou expansão nas vendas, todas favorecidas pela campanha de liquidações: artigos farmacêuticos e perfumaria, outros artigos de uso pessoal e doméstico, móveis e eletrodomésticos e equipamentos de informática e comunicação. Para Isabella Nunes, gerente da Pesquisa Mensal de Comércio no IBGE, a Black Friday foi decisiva para o varejo em novembro. “Se não tivesse Black Friday, esse resultado (do varejo) poderia não ter sido positivo. Então a Black Friday fez diferença para mês de novembro contra outubro.”

Em novembro, houve perdas nos setores de vestuário, combustíveis e livros. As vendas dos supermercados – setor de maior peso no varejo – ficaram estáveis em relação a outubro. O aumento na inflação de alimentos no domicílio, impulsionada pela alta no preço das carnes na reta final do ano de 2019, teve impacto n o volume vendido. “As pessoas não vão deixar de comer, mas elas vão substituir, elas vão reduzir o valor da compra para fazer caber no seu orçamento”, explicou Isabella.

O comércio varejista permanece em trajetória de recuperação, sustentado por uma conjuntura mais favorável para as vendas, apontou o IBGE. Há contribuição da melhora gradual no mercado de trabalho, com elevação no número de pessoas empregadas e aumento da massa de salários em circulação na economia; do patamar historicamente baixo da taxa de juros, que favorece as concessões de crédito às famílias; e a liberação de saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), enumerou Isabella. “Retirada a sazonalidade, vemos que o patamar de vendas do varejo está subindo”, ressaltou Isabella.

No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, o volume de vendas recuou 0,5% em novembro ante outubro.

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