Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Vendas do varejo sobem 1,2% em fevereiro, a maior alta desde julho de 2013

O resultado, no entanto, não recupera a perda acumulada nos dois meses anteriores; na comparação com fevereiro de 2015, as vendas caíram 4,2%

Daniela Amorim, O Estado de S. Paulo

12 de abril de 2016 | 09h18

RIO - As vendas do comércio varejista subiram 1,2% em fevereiro ante janeiro, na série com ajuste sazonal, a maior taxa registrada desde julho de 2013, quando o avanço foi de 3,0%. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O avanço foi puxado pelo crescimento registrado em metade das oito atividades investigadas. O segmento de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que responde por cerca de 50% do total do varejo, teve elevação de 0,8% nas vendas após três quedas consecutivas, período em que acumulou uma perda de 3,7%.

Segundo a gerente na Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, Isabella Nunes, a alta das vendas vieram de uma base de comparação baixa, após meses de quedas consecutivas. "Há três ou quatro meses elas estão mostrando quedas consecutivas. Então é natural que, depois de muito tempo consecutivo de queda, você comece a consumir", justificou Isabella.

O resultado de fevereiro, entretanto, não recuperou a perda de 4,1% acumulada nos dois meses anteriores, ressaltou o instituto. A média móvel trimestral do varejo permaneceu em território negativo pelo terceiro mês consecutivo, ao registrar queda de 1,0% em fevereiro.

Na comparação com fevereiro de 2015, sem ajuste sazonal, as vendas do varejo tiveram baixa de 4,2% em fevereiro de 2016, o pior resultado para o mês registrado pela série histórica da Pesquisa Mensal de Comércio, com início em 2002. O resultado do varejo em fevereiro foi a 11ª taxa negativa consecutiva na comparação com o mesmo mês do ano anterior. No ano, as vendas do varejo restrito acumulam retração de 7,6% e recuo de 5,3% em 12 meses.

"Fevereiro reduz 6,4 ponto porcentual a queda em relação a janeiro. Mas é pior do que em fevereiro do ano passado, porque tem uma conjuntura que avançou negativamente em relação a 2015. O mercado de trabalho está mais negativo, a inflação está mais alta, a taxa de desemprego aumentou", explicou Isabella Nunes, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.

Segundo a pesquisadora, os fatores que inibem o consumo das famílias persistem na conjuntura atual. O número de trabalhadores com carteira assinada recuou 4,1% no período de um ano; a redução de massa salarial habitual diminuiu 11,5% em relação a fevereiro de 2015; a taxa de juros do crédito a pessoas físicas aumentou de 32,9% ao ano em fevereiro de 2015 para 39,9% ao ano em fevereiro de 2016; e a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estava em 10,36% nos 12 meses encerrados em fevereiro.

Quanto ao varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção e de veículos, as vendas subiram 1,8% em fevereiro ante janeiro, na série com ajuste sazonal. Na comparação com fevereiro de 2015, sem ajuste, as vendas do varejo ampliado tiveram baixa de 5,6% em fevereiro de 2016. 

Até fevereiro, as vendas do comércio varejista ampliado acumulam queda de 10,1% no ano e recuo de 9,1% e 12 meses.

Setores. Além do segmento de supermercados, outro crescimento substancial em fevereiro foi o de Móveis e eletrodomésticos, com alta de 5,0%, depois de uma perda acumulada de 13,2% nos meses de dezembro e janeiro.

As demais taxas positivas foram de Combustíveis e lubrificantes (0,6%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,3%). Na direção oposta, houve retração no volume vendido por Tecidos, vestuário e calçados (-2,8%); Livros, jornais, revistas e papelaria (-2,4); Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-1,3%) e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,1%).

No comércio varejista ampliado, a alta de 1,8% em fevereiro ante janeiro foi influenciada pelos avanços nas atividades de Veículos e motos, partes e peças (3,8%) e Material de construção (3,3%).

Revisões. O IBGE revisou a taxa do volume de vendas do varejo em janeiro ante dezembro de 2015, que passou de -1,5% para -1,9%. O resultado de dezembro ante novembro também foi revisto, de -2,7% para -2,3%, enquanto o de novembro ante outubro saiu de 0,5% para 0,3%, e o de outubro ante setembro passou de 0,6% para 0,5%.


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