Nilton Fukuda/Estadão - 28/11/2019
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E-Investidor: como a queda do PIB afeta o mercado financeiro

Vendas do varejo sobem 1,2% em fevereiro ante janeiro

Na comparação com janeiro de 2019, sem ajuste sazonal, as vendas do varejo tiveram alta de 4,7% em fevereiro de 2020

Vinicius Neder, Thaís Barcellos e Cícero Cotrim, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2020 | 09h53

RIO e SÃO PAULO - Antes do impacto negativo causado pela pandemia do novo coronavírus, as vendas do varejo cresceram 1,2% em fevereiro ante janeiro, recuperando parcialmente a queda de 1,4% vista em janeiro, informou nesta terça-feira, 7, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A parada na economia para conter o avanço da covid-19 deverá aparecer a partir dos dados de março sobre o comércio. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima perda de faturamento de R$ 53,3 bilhões.

Economistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast esperam retração nas vendas este ano, com aprofundamento da queda a partir de abril. A estimativa da CNC, em relatório da Divisão Econômica da entidade, sinaliza uma queda de 46,1% no faturamento do comércio varejista desde a introdução de medidas restritivas até esta terça, 7, na comparação com igual período de 2019.

“Por mais que o dado de fevereiro tenha sido bom, o primeiro trimestre estava de lado, num zero a zero apertado. O contexto continua o mesmo, uma recuperação lenta da economia que, a partir de março, vai ser completamente devastada”, afirmou Lucas Godoi, economista da GO Associados.

Para a CNC, o resultado de março poderá trazer a maior queda nas vendas do varejo de toda a série histórica do IBGE, iniciada no ano 2000. “Não houve registro de interrupção tão drástica das atividades comercias como a que o setor tem experimentado desde o aumento no número de casos de COVID-19 no Brasil”, diz o relatório.

Ao comentar os dados de fevereiro, Cristiano Santos, analista do IBGE, lembrou que as medidas de restrição no funcionamento do comércio atingiram os setores de maneira distinta. Supermercados, com grande peso no desempenho das vendas como um todo, seguiram abertos, e viram uma corrida de consumidores preocupados em fazer estoques para o período de isolamento social.

“Hiper e supermercados estão abertos e estão concentrando o dispêndio familiar. O setor farmacêutico também está aberto”, afirmou Santos, em videoconferência com jornalistas. “Das atividades econômicas que o IBGE apura, duas que têm peso forte estão abertas”, completou o pesquisador.

Para Rodolfo Cabral, economista da 4E Consultoria, é difícil projetar o resultado de março justamente porque a antecipação do consumo em supermercados e farmácias pode compensar parte da perda forte de todos os outros setores, por causa do fechamento do comércio.

“Em abril e talvez maio, o impacto sobre as vendas do varejo deve ser de maior intensidade. Esse efeito de antecipação do consumo deve ser exaurido, o padrão de consumo deve voltar a ser mais normal à medida em que a população perceber que não há desabastecimento”, disse Cabral.

Como mostrou o Estado no último domingo, 5, o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), calculado pela companhia de máquinas de cartão com base nas transações de seus clientes, aponta para alta no faturamento das lojas de produtos essenciais, como supermercados e farmácias. Por outro lado, o segmento de serviços, que inclui salões de beleza, bares e restaurantes e atividades de lazer viu a receita cair à metade na comparação com um ano antes.

No varejo como um todo, o faturamento caiu 22,6%, sem descontar a inflação, quando se compara o período de 9 de março a 1º de abril com período equivalente de 2019, recorte que exclui o carnaval da conta.

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