Tiago Queiroz/Estadão
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Vendas do varejo voltam a subir e estão 8,2% acima do patamar pré-pandemia

Em agosto, alta nas vendas foi de 3,4%; recuperação, porém é irregular, com alguns segmentos, como o de automóveis, ainda bem abaixo do patamar de fevereiro

Daniela Amorim e Cícero Cotrim, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2020 | 09h20
Atualizado 08 de outubro de 2020 | 21h16

RIO e SÃO PAULO - Turbinadas pelo auxílio emergencial e pelo aumento nas concessões de crédito, as vendas nos comércio varejista cresceram 3,4% em agosto ante julho, para o patamar mais elevado já visto na série histórica da Pesquisa Mensal de Comércio, iniciada em janeiro de 2000 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

  

A alta nos preços dos alimentos prejudicou o desempenho dos supermercados, mas o volume vendido alcançou níveis recordes em agosto nos segmentos de móveis e eletrodomésticos, material de construção e outros artigos de uso pessoal e doméstico.

“Essas são as atividades que estão puxando essa retomada do varejo”, observou Isabella Nunes, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE. O bom desempenho do comércio varejista tem sido sustentado pelo pagamento do auxílio emergencial, que permitiu renda extra especialmente às famílias mais pobres, e pelo avanço nas concessões de crédito para pessoas físicas, com taxas de juros mais baixas, justificou Cristiano Santos, analista da pesquisa do IBGE.

No entanto, a principal fonte de incerteza para o restante do ano vem da redução da parcela mensal do auxílio emergencial, de R$ 600 para R$ 300. De acordo com Luana Miranda, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), a tendência é que, mesmo reduzido à metade, o auxílio leve a um crescimento real na massa de rendimentos da população no quarto trimestre ante igual período do ano passado, o que manteria o varejo com performance positiva ao longo dos próximos meses. A dúvida é a virada para 2021, quando os benefícios devem ser extintos sem que o mercado de trabalho tenha se recuperado o bastante para que haja uma retomada da renda do trabalho.

“A grande questão é como a economia vai reagir, como o consumo de bens e serviços vai ficar sem esse auxílio e quanto da poupança acumulada vai ajudar a suavizar essa mudança brusca do consumo, inclusive com a incerteza em relação à evolução do mercado de trabalho”, ponderou Luana.

Para o economista-sênior do Banco MUFG Brasil, Maurício Nakahodo, a redução nos juros e condições de financiamento mais flexíveis devem ajudar a impulsionar o consumo de bens semiduráveis e manter uma expansão das vendas até o fim deste ano, mesmo que em ritmo mais moderado.

“O varejo tem desempenhado bem, e apesar desses fatores que podem tirar fôlego, como a redução da parcela do auxílio emergencial, nós também estamos vendo sinais de retomada do mercado de trabalho formal e de aumento de confiança do comércio, que é favorável a contratações”, opinou Nakahodo.

Em agosto, o volume vendido pelo varejo superou em 2,6% o recorde anterior, de outubro de 2014. As vendas já estão 8,2% acima do patamar de fevereiro, no pré-pandemia. O varejo ampliado, que inclui os setores de veículos e material de construção, cresceu 4,6% em relação a julho, superando em 2,2% o nível pré-pandemia, embora ainda opere 4,1% abaixo do pico alcançado em agosto de 2012.

“O varejo tem sim variação positiva, mas isso não aconteceu com todas as atividades”, alertou  Cristiano Santos.

Apesar da melhora em agosto em cinco dos oito setores investigados, as vendas de veículos ainda estão 12,9% abaixo do patamar pré-pandemia, assim como as de vestuário (9,4% aquém), livros e papelaria (39,2% abaixo), combustíveis (8,8% aquém) e equipamentos de informática (5,5% abaixo).

O ramo de supermercados, que ajudou a sustentar o varejo nos piores meses da crise sanitária, encolheu pelo segundo mês consecutivo em agosto, sob influência da inflação de alimentos. Em momentos de avanços nos preços, os consumidores procuram substituir itens mais caros por equivalentes mais baratos, explicou Cristiano Santos.

“Essa renda extra não foi absorvida por supermercados, acabou sendo mais absorvida em agosto por outros segmentos, como vestuário, móveis e eletrodomésticos e materiais de construção”, disse o pesquisador do IBGE. 

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