Dida Sampaio/Estadão
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Com aumento nos preços dos alimentos, vendas do varejo perdem força em setembro

Crescimento do setor foi de 0,6% na comparação com agosto, na quinta alta seguida, aponta o IBGE; segmento de hiper e supermercados recuou 0,4%

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2020 | 09h16
Atualizado 11 de novembro de 2020 | 13h37

RIO - A inflação dos alimentos pressionada, que reduz o ímpeto nas compras de supermercado, segurou o ritmo do crescimento das vendas do varejo em setembro. No total, houve uma alta de 0,6% ante agosto, quando o crescimento sobre julho foi de 3,1%, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, 11. As vendas dos supermercados caíram 0,4%, a terceira queda seguida. A rapidez com que as perdas causadas pela pandemia de covid-19 foram eliminadas entre maio e agosto também ajudou a moderar o crescimento de setembro.

Após o tombo de março e abril, desde maio, a recuperação das vendas do varejo é marcada por uma série de peculiaridades da pandemia. Com as famílias passando mais tempo em casa, aumentou a demanda por alimentos para consumo no domicílio e pelos medicamentos e artigos de perfumaria vendidos nas farmácias - dois setores do comércio que, considerados essenciais, foram menos afetados pelo isolamento social. Além disso, o auxílio emergencial aqueceu as vendas de comida.

A alta nas vendas em geral foi puxada por combustíveis e lubrificantes (3,1%); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (2,1%); e móveis e eletrodomésticos (1,0%). A queda no segmento de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que responde por quase a metade do total de vendas, foi causada pela inflação de alimentos, impulsionada pela alta do dólar e pelo aquecimento da demanda na retomada, segundo Cristiano Santos, gerente da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE.

Tanto que a receita nominal do segmento de supermercados subiu 1,9% em setembro ante agosto, mas, com o desconto da inflação, a variação do volume de vendas passou para o “campo negativo”. Isso significa que supermercados, mercadinhos e padarias faturaram mais por causa da remarcação de preços, e não por que venderam quantidades maiores. “A influência da inflação no volume é clara, sobretudo nos alimentos”, afirmou Santos.

O impacto da inflação e a redução das taxas de crescimento já eram esperados. Após as fortes quedas de março (-2,5%) e abril (-16,6%), o próprio efeito estatístico já levaria a altas também elevadas na retomada. Embora os analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast esperassem uma alta de 1,4% no total, o crescimento mais moderado não mudou a perspectiva de que a retomada da economia segue em curso. Apenas reforça que o ímpeto acelerado, impulsionado pelas transferências de renda do governo para mitigar a crise, perderá cada vez mais força nos próximos meses.

“A freada não preocupa porque já havia uma expectativa de acomodação depois de uma recuperação muito forte que depois continuou como uma expansão forte. Essa acomodação deve continuar no quarto trimestre e também na passagem para o ano que vem”, disse o economista Lucas Rocca, da LCA Consultores.

Com o avanço de setembro, as vendas no varejo renovaram o recorde do nível de atividade e emplacaram o quinto mês seguido de alta. As vendas já estão 7,7% acima do nível de fevereiro, pré-pandemia. No terceiro trimestre, o avanço foi de 17,2% sobre o segundo trimestre, mas o salto sobe para 24,2% quando se considera o varejo ampliado, que inclui as concessionárias de veículos e as lojas de material de construção.

“A recuperação em ‘V’ já aconteceu, não dava para contar que o ritmo de crescimento forte fosse sustentado por muito tempo. O efeito do auxílio emergencial (R$ 600 por mês pagos pelo governo para trabalhadores informais de baixa renda) vai começar a diminuir e as taxas de crescimento devem ser menores do que nos últimos meses, o que é natural”, afirmou o economista Homero Guizzo, da Guide Investimentos.

A perspectiva de moderação no crescimento continua nos próximos meses, por causa da redução do auxílio emergencial. Desde setembro, o valor mensal da transferência foi reduzido de R$ 600 para R$ 300, mas o IBGE não captou um efeito negativo dessa redução no valor sobre o crescimento das vendas do varejo, já que, em setembro, o auxilio emergencial “foi positivo para o rendimento das famílias”, disse Santos.

No curto prazo, as vendas de Natal e promoções como a Black Friday podem até dar um impulso positivo, compensando os efeitos negativos da inflação de alimentos e da diminuição do auxílio emergencial. “No varejo ampliado, pode ser que esse arrefecimento seja contrabalanceado pelos automóveis”, disse o economista sênior do Banco MUFG Brasil Maurício Nakahodo. / COLABORARAM THAÍS BARCELLOS, GREGORY PRUDENCIANO E CÍCERO COTRIM

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