Vendas dos supermercados caem 0,78% até agosto

As vendas dos supermercados caíram 0,78% no País no acumulado de janeiro a agosto, ante igual período do ano passado. O presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), José Humberto Pires de Araújo, disse que, apesar do resultado negativo, houve uma melhoria no desempenho acumulado, já que no período de janeiro a junho a queda foi de 2% em relação a 2001. Em agosto, na comparação com igual mês do ano passado, houve aumento de 5,04% nas vendas do setor e um crescimento de 5,53% ante julho. Os resultados são deflacionados pelo IPCA. Segundo Pires de Araújo, agosto foi beneficiado pelo calendário, já que teve um sábado a mais do que julho e, na comparação com igual mês do ano passado, houve impacto da base de comparação deprimida, já que 2001 foi um ano de fraco desempenho para o setor até setembro. Para os supermercadistas, a devolução de parcelas do FGTS pelo governo também tem beneficiado os supermercados. Apesar da melhoria em agosto, a Abras revisou sua projeção para o ano, de um crescimento acumulado de 1,5% para 1%. Pires de Araújo disse que a entidade ficou mais conservadora porque imaginava que o ritmo de desacelaração da queda acumulada no ano seria mais intenso do que tem sido. "Embora agosto tenha sido um bom mês a recuperação mensal está mais lenta que o previsto", disse. RepasseO presidente da Abras explicou que já estão ocorrendo "alguns repasses" da alta do dólar para os preços nas lojas do setor, mas estão restritos a produtos vinculados à moeda norte-americana e tem sido inferiores à inflação. Segundo ele, os maiores reajustes estão concentrados nos derivados do trigo, mas há também alguma pressão sobre produtos com matérias-primas importadas. Ele explicou que nos últimos 12 meses até agosto os reajustes no setor atingiram 6,98%, de acordo com o índice Abrasmercado, enquanto o IPCA acumulado no período foi de 7,23%. Pires de Araújo disse também que os fornecedores industriais "não estão pressionando de maneira forte" os supermercadistas e há busca conjunta de "conversas" para evitar repasses. Segundo ele, a expectativa do setor é que o dólar encontre um novo patamar abaixo de R$ 3 assim que os resultados das eleições estiverem definidos. "Até lá o momento é de cautela, com adiamento dos negócios para o final do ano", afirmou. Ele adiantou que ainda não estão ocorrendo importações pelos supermercadistas para as vendas de Natal.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.