Vendas e horas trabalhadas aumentam, diz CNI

As vendas reais da indústria e as horas trabalhadas na produção industrial cresceram em abril, segundo dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O faturamento das empresas cresceu 4,01% em relação a março, e 5% em relação a abril de 2001. Mesmo considerando o ajuste sazonal em abril, o indicador de vendas da indústria manteve-se em alta de 1,38%.No acumulado do ano (janeiro-abril), o crescimento foi de 0,32%. Já as horas trabalhadas na produção tiveram crescimento de 3,63% em abril, na comparação com março. Em relação a abril do ano passado, o indicador registrou alta de 5,78%. Com isso, o resultado acumulado do ano que era negativo até março atingiu crescimento de 1,04% no acumulado até abril, em relação ao mesmo período de 2001. Pelo quarto mês consecutivo, cresceu o indicador de pessoal empregado na indústria. Em abril o índice subiu 0,76% e 0,32%, ajustados sazionalmente. Em relação a abril de 2001, o número de pessoal empregado cresceu 0,45%. O acumulado no ano ficou estável com crescimento de 0,02%.O economista Flávio Castelo Branco, coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI está menos otimista quanto a evolução da economia brasileira na segunda metade do ano, apesar de os resultados da indústria de abril terem sido melhores do que o esperado. Até o mês passado, Castelo Branco estava acreditando em melhoria dos negócios no segundo semestre, mas ele acha que o ambiente atual não permite muito otimismo. O fato de o Banco Central ter interrompido a redução dos juros, na sua opinião, levou os agentes econômicos a reduzir as compras, o que implicou em aumento dos estoques. Um aspecto positivo observado por Castelo Branco é que o emprego industrial está em linha com a evolução das vendas, ao contrário do observado nos anos anteriores. Em 2000 e 2001, mesmo com melhoria nas vendas o número de trabalhadores continuou em queda. Nos últimos meses, as melhorias nas vendas industriais trouxeram impacto imediato no mercado de trabalho. Castelo Branci disse que a CNI não refez as projeções para a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) e da indústria para este ano, mas se tiver de fazer será para baixo. Em dezembro, a CNI previa expansão do PIB em 1,9% em 2002, e 1,5% para a indústria. Um dos fatores-chave será o comportamento do Banco Central em relação aos juros. Na avaliação de Castelo Branco, o ambiente econômico registraria sensível melhora se houver redução das taxas. E ele é de opinião de que o BC pode baixar os juros, "já que a inflação continua em queda".

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