Vendas em alta e estoques baixos puxam emprego industrial em 2008

Sondagem industrial da FGV revela que o consumo doméstico mantém produção aquecida no início do ano

Márcia De Chiara, O Estadao de S.Paulo

29 de dezembro de 2007 | 00h00

O ano começa aquecido para a indústria, com estoques enxutos e boas perspectivas de contratação para o primeiro bimestre. Neste mês, praticamente dobrou em relação a dezembro do ano passado o número de empresas que informaram que a demanda doméstica atual está forte, aponta a Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) .A pesquisa revela que 37% das 1.080 companhias consultadas entre os dias 3 e 26 deste mês que, juntas, faturam R$ 548,7 bilhões por ano, consideram que hoje o consumo doméstico está forte, ante 19% delas em dezembro de 2006. "Esse resultado para o consumo doméstico é o maior já registrado desde janeiro de 1987, na época do Plano Cruzado, quando 39% das empresas declararam que a demanda interna estava forte", observa o coordenador técnico da pesquisa, Jorge Braga.Ele destaca também que a fatia de empresas que avaliam a demanda interna como forte este mês supera o resultado registrado em outubro deste ano (31%). Esse desempenho é significativo porque normalmente outubro é tido como o Natal das fábricas, isto é, o melhor mês de vendas, a exemplo do que ocorre para o comércio em dezembro.O baixo nível de estoques na indústria apontado pela pesquisa é outro dado que reforça a tendência de aquecimento do ritmo de produção das fábricas no início do ano. De acordo com a sondagem da FGV, 7% das companhias informaram que estão atualmente com estoques insuficientes. Em dezembro de 2006 e no mesmo mês de 2005, 1% das empresas informaram que os estoques estavam abaixo do necessário. "Por isso, muitas montadoras de veículos, fabricantes de eletroeletrônicos, calçados e artigos de vestuário não pararam a produção neste mês. Várias delas têm pedidos em carteira para janeiro", diz Braga, destacando os fabricantes de veículos e alimentos industrializados.Apesar da valorização do real em relação ao dólar, a demanda externa continua aquecida na opinião dos dirigentes das companhias. A sondagem mostra que 17% das empresas informaram que o nível de vendas externas está forte. Esse resultado é superior ao registrado em dezembro de 2006 e 2005, de 13% e 10%, respectivamente. Braga ressalta que a demanda global, que reúne as vendas para o mercado doméstico e as exportações, praticamente está se mantendo desde setembro.

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