Alex Silva/Estadão
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Com consumidor mais confiante, venda de Natal em SP tem maior alta desde 2010

Em 3 anos, País deve ganhar 31 novos shopping centers; segundo dados da Associação Comercial, varejo registrou crescimento de 6,6% em relação ao ano anterior

Cleide Silva e Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2019 | 12h16
Atualizado 26 de dezembro de 2019 | 23h35

A confiança do consumidor na economia parece estar começando a retornar, e isso já se refletiu nas vendas de Natal. Em São Paulo, o varejo registrou um crescimento de 6,6% nos negócios, o maior aumento desde 2010 – ano em que o PIB cresceu 7,5% e o comércio natalino subiu 14,1%, segundo os dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Nos shopping centers de todo o País, de acordo com a associação do setor, o crescimento das vendas foi ainda maior – de 9,5%.

Para o economista Fabio Romão, da LCA Consultores, esse bom desempenho está ligado à inflação estabilizada, à liberação do FGTS – ainda que tenha um efeito pontual – e ao crescimento, nos últimos meses, do emprego formal, o que tem elevado a confiança dos consumidores. A queda dos juros também é importante nesse cenário e vai reforçar a atividade econômica no próximo ano, quando a redução das taxas deve chegar de fato ao consumidor final, diz. Romão acredita que na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em fevereiro, “é possível que ocorra o corte derradeiro de 0,25 ponto”, deixando a taxa Selic no patamar de 4,25% ao ano.

O economista da ACSP, Marcel Solimeo, ressalta que o resultado do movimento de compras de 1.º a 24 de dezembro é preliminar, mas o melhor número anterior, de crescimento de 4,2%, foi registrado há dois anos. Ele também afirma que as compras à vista aumentaram 13,1%, enquanto os negócios a prazo ficaram estáveis. “Foi injetado mais dinheiro na economia este ano do que no anterior.” Na opinião de Solimeo, o brasileiro está mais animado para compras à vista e isso pode ser apontado como reflexo do aumento do emprego e o saque do FGTS, entre outras medidas que acabaram aquecendo o comércio neste final de ano.

Shoppings

No caso dos shopping centers, o aumento de 9,5% nas vendas em relação ao Natal do ano anterior foi o melhor resultado para o período em cinco anos. Segundo a Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings (Alshop), isso representou R$ 37 bilhões em injeção de dinheiro na economia do País. 

No acumulado do ano até agora, os shoppings registraram alta nominal de 7,5% nas vendas ante 2018, totalizando R$ 168,2 bilhões. Também é o melhor resultado desde 2014, e ficou acima do esperado pela Alshop, que havia previsto inicialmente alta em torno de 5% para o ano.

O presidente da Alshop, Nabil Sahyoun, afirma que as vendas nos shoppings cresceram acima do esperado especialmente no segundo semestre em razão de medidas como a aprovação da reforma da Previdência, redução dos juros e liberação do FGTS e PIS/Pasep.

Ele também cita o ajuste das contas públicas, “que mostra a determinação do governo de reduzir gastos, permitindo que a economia e o comércio avancem e resultem em novos empregos e aumento nas vendas de forma sustentável”.

Sahyoun acredita que a tendência é de continuidade do crescimento das vendas, caso sejam mantidas as reformas na economia brasileira. “Os números com certeza serão melhores em 2020”, prevê ele, ao admitir que a base de comparação deste ano é fraca, dada a demanda reprimida entre os consumidores nos anos anteriores.

Mais procurados

Os presentes mais procurados neste Natal, segundo a Alshop, foram moda masculina, brinquedos, perfumes e cosméticos, calçados, acessórios de moda, celulares e smartphones, livros, joias, bijuterias, eletrônicos e eletrodomésticos.

A pesquisa da Alshop é feita em parceria com o Ibope e apura os resultados de vendas de 762 shoppings em operação no País. São ouvidos 400 empresários de 30 mil pontos de vendas. O levantamento apontou ainda que ocorreram 12 inaugurações de centros de compras neste ano, com abertura de 1,1 mil lojas e geração de 9 mil empregos. O ano se encerra com um total de 113,5 mil lojas de shoppings, 1,4% a mais que em 2018.

Expansão

O presidente da associação de lojistas em shoppings centers afirmou que a grande maioria dos empresários está investindo na expansão das lojas, movimento que inclui desde grandes redes até franquias. 

Segundo ele, há uma tendência de interiorização dos shoppings, devido à saturação dos empreendimentos nas capitais.

Na opinião do diretor institucional da Alshop, Luís Augusto Ildefonso, a ocupação dos shoppings está crescendo, embora ele não tenha citado números atualizados que apontem o movimento. 

"Chegamos a ter vacância de 45% nos shoppings novos há quatro anos, durante a crise. Mas o porcentual caiu bastante", disse. 

Ildefonso afirma que a relação entre o lojista e os proprietários de shoppings está mais "afável", com contratos mais flexíveis. "A tendência é que a vacância diminua. As lojas fechadas na crise precisam ser reabertas. E há novas marcas a caminho, inclusive estrangeiras", afirmou.

Questionados sobre o avanço do comércio eletrônico, Sahyoun disse entender que o varejo físico "está um passo adiante" do online. "Mesmo que o consumidor compre no modelo online, jamais vai deixar de visitar os shoppings, onde há experiência de compra, emoção do convívio e entretenimento", disse.

 

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