Vendas mornas de Natal não indicam tendência

As vendas a varejo no Natal apontaram para certa estabilidade, em termos reais, em relação a um período excepcional - o Natal de 2010 -, não justificando a frustração dos comerciantes com os resultados. O que parece ter havido, da parte de alguns segmentos, é uma expectativa exacerbada de demanda, sem base na realidade, como se viu no noticiário exibido nas TVs.

O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2011 | 03h04

Reportagem de Márcia De Chiara, no Estado (27/12), mostrou que a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) registrou entre 1.º e 25/12 de 2010 e 2011 um aumento das consultas para vendas à vista e a prazo de 1,9%, muito próximo da expectativa da entidade. A Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) apontou uma elevação das vendas de 2,33% em relação a dezembro de 2010, abaixo da projeção de 8%. E a Associação dos Lojistas de Shopping (Alshop) apurou alta nominal de 5,5% em relação ao Natal de 2010, levemente inferior à inflação.

Predominou uma atitude mais ponderada dos consumidores, que não ignoraram o risco de agravamento da crise, ainda que esta não os tenha atingido diretamente. Por isso, muitos evitaram o endividamento ou adiaram um pouco as compras.

Foi constatado um expressivo aumento das vendas à vista, em especial após o recebimento da segunda parcela do 13.º salário. Levando em conta as circunstâncias atuais, "foi um bom Natal", resumiu o economista Emilio Alfieri, da ACSP. Já Nabil Sahyoun, da Alshop, disse que "a base de comparação é alta, não dá para falar em decepção, mas o setor ficou abaixo da expectativa". O adiamento do consumo foi premiado com a antecipação das liquidações.

Outra tendência foi a da aquisição de produtos de menor valor, como os de perfumaria, cosméticos, óculos, bijuterias e acessórios, em detrimento de artigos como vestuário, afetados por aumento do preço do algodão, por tributos e margens altas. O levantamento preliminar da Associação Paulista de Supermercados (Apas) exibiu aumento real de 6% nas vendas entre 2010 e 2011.

Alguns fatores foram decisivos para explicar a moderação dos consumidores, tais como o aumento da inflação, que afeta o poder aquisitivo, e o crescimento do endividamento. Muitos consumidores preferiram quitar os empréstimos anteriores antes de tomar novos créditos.

Há incerteza quanto ao comportamento do varejo no primeiro trimestre de 2012, pois o setor estará sob influência de despesas com escolas, tributos e férias, mas se beneficiará com o salário mínimo de R$ 622,00.

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