Vendas na indústria do RJ caem, mas setor está confiante

As vendas reais da indústria fluminense caíram 2,68% em setembro, ante o mesmo mês de 2005. Em relação a agosto, a redução foi quase dez vezes maior, de 24,53%, segundo informou nesta segunda-feira a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Com o ajuste para tirar as variações típicas da época do ano, a queda em relação a agosto foi de 20,96%. Apesar disso, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) fluminense aumentou para 53,7 em outubro ante 52,8 em julho.A explicação da aparente contradição está diretamente ligado às eleições e ao discurso de campanha de que o segundo mandato de Lula será voltado para o crescimento e desenvolvimento econômico, avalia a chefe da Assessoria de Pesquisas Econômicas da Firjan, Luciana Marques de Sá."O governo Lula fala em crescimento e isso se reflete nas expectativas dos empresários. O prognóstico dos empresários é de recuperação do nível de atividade nos próximos seis meses", disse ela, ao anunciar o índice há pouco.Luciana avalia que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) este ano não chegará a 3,5%. "Está mais para 3%, 3,2%", disse. "O crescimento está adiado para o ano que vem", afirmou.Para o ano que vem, porém, ela também tem expectativas mais positivas. Lembra que a tendência dos juros é de queda, que o crédito está em expansão e que o mercado consumidos tende a aumentar com o crescimento do emprego e da renda. "Todo primeiro ano de governo dá capital político para reformas. Acho que na área de investimento pode haver avanços", disse.Luciana espera a aprovação da lei para pequenas empresas e citou também possibilidades de melhorarem as condições nas áreas ambiental, com maior rapidez para avaliação e liberação de licenças; tributária e de infra-estrutura, pelo aumento de investimento público. VendasO resultado das vendas em setembro levaram a Firjan a rever sua previsão de vendas para este ano "de entre zero a 5% para algo mais próximo de zero, podendo inclusive ficar negativa", disse Luciana.De acordo com ela, a redução de exportações de petroquímica foi determinante para o resultado de setembro. Sem contar o setor químico, as vendas reais do mês passado teriam uma alta de 1,2% na série com ajuste sazonal. Também teve peso importante no resultado a queda de 20,99% nas vendas de produtos alimentares, influenciadas pelo fim da safra de cana-de-açúcar no norte fluminense.O destaque positivo foi o setor de material elétrico com expansão de 128,20% sobre agosto. O uso da capacidade instalada caiu de 79,13% em agosto para 77,64% em setembro. Na série com ajuste sazonal, de agosto para setembro, houve queda de 3,28% nas horas trabalhadas e de 0,04% na massa salarial."Mesmo com esse resultado ruim, o terceiro trimestre foi muito melhor que o segundo", disse Luciana. No terceiro trimestre, as vendas aumentaram 13% sobre o segundo trimestre, o pior do ano. O segundo trimestre mostrou redução de 5,8% nas vendas em relação ao primeiro trimestre.No acumulado de janeiro a setembro, as vendas reais mostram queda de 7,10% em relação ao mesmo período do ano passado. Nesse indicador, o que influiu mais para o resultado negativo foi o setor metalúrgico, fortemente impactado pela parada de um alto forno da CSN por todo o primeiro semestre do ano. "Se não fosse isso, teríamos alta de pelo menos 10% nas vendas", disse Luciana.De janeiro a setembro, há um aumento de 2,86% no pessoal ocupado e de 0,52% nas horas trabalhadas em relação aos primeiros nove meses do ano passado.Matéria alterada às 17h13 para acréscimo de informações

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