Marcio Fernandes/Estadão
Marcio Fernandes/Estadão

Vendas na semana da Páscoa têm queda recorde

Retração foi de 9,6% no País e, em São Paulo, chegou a 11,6%, diz Serasa Experian; desemprego e inflação em alta explicam resultado

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2016 | 21h50

A crise derrubou as vendas de Páscoa deste ano. Dois indicadores que medem o desempenho do comércio mostram com números diferentes que houve um tombo nas vendas na semana que antecedeu a data deste ano em relação ao mesmo período de 2015. A retração ocorreu apesar das promoções, do corte de preços e da possibilidade de parcelar o pagamento, facilidades oferecidas pelos supermercado para salvar a venda.

Na semana que antecedeu a Páscoa, as vendas caíram 9,6% no País, segundo a Serasa Experian, que apura o movimento do comércio com base nas consultas para compras à vista e a prazo. Foi o pior desempenho para a data desde o início da série, em 2007. Em anos anteriores nunca havia tido resultado negativo.

A forte queda nas vendas também apareceu nos dados apurados pela Boa Vista SCPC, outra empresa especializada em análise de crédito. Neste caso, as vendas na semana da Páscoa recuaram 5,8% em comparação com o mesmo período de 2015. Foi a segunda retração seguida para a data, porém numa proporção bem maior. Em 2015, os negócios na semana da Páscoa tinham caído 0,3% em comparação com 2014.

“O buraco é mais fundo do que a gente imaginava”, diz o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi. Ele lembra que no Natal, a última data comemorativa importante, o volume de vendas tinha recuado 6,4%. A pesquisa mostra que o resultado mais crítico para as vendas de Páscoa ocorreu em São Paulo, que registrou retração de 11,6% no volume de negócios na semana de Páscoa deste ano comparado com o resultado de 2015. “Qualquer queda na casa de 10% é preocupante”, diz.

Inflação em alta, rodando na casa de 10% em termos anuais, e desemprego crescente são fatores, na opinião do economista, que explicam o desempenho ruim do varejo.

Essa também é a avaliação do economista da Boa Vista SCPC, Flávio Calife. Ele acrescenta que a confiança do consumidor em baixa também contribuiu para que o brasileiro gastasse menos neste ano. Uma pesquisa feita pela Boa Vista SCPC apontou que o desembolso na Páscoa deste ano seria menor, de R$ 82, ante R$ 95 em 2015. A queda de 13,7% é nominal e não considera a inflação de 10% acumulada no período.

Supermercados. “Pior desempenho é impossível”, diz Rodrigo Mariano, gerente de economia da Associação Paulista de Supermercados. Levantamento informal feito pela entidade mostra queda de 10% no número de ovos vendidos neste ano ante a mesma data em 2015.

Em termos de faturamento, ele calcula uma retração de 3% ou mais, descontada a inflação do período. Se a projeção se confirmar, será a primeira queda na receita dos supermercados paulistas por ocasião das vendas de Páscoa em dez anos. Na Páscoa de 2006, o faturamento dos supermercados do Estado de São Paulo encolheu 0,6%.

Mariano observa que as redes varejistas acumularam muitas sobras de ovos de chocolate este ano, apesar das promoções de última hora para tentar se livrar do encalhe. Além de cortar preço, oferecer outro ovo de brinde, houve a possibilidade de parcelar o pagamento. Procuradas, as varejistas como Carrefour, GPA, Walmart, Lojas Americanas e Cacau Show não informaram o desempenho de vendas por ocasião da Páscoa.

Tanto Rabi como Calife acreditam que o resultado da Páscoa reflete o desempenho ruim do varejo no 1º trimestre e que isso deve ter impacto negativo no consumo das famílias e no PIB do período.

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