Vendas na semana de Natal caíram 4%

Previsões do varejo estão se concretizando e movimento do comércio deste final ano deve ser o segundo pior da história, só perde para 2015

Márcia De Chiara, O Estado de S. Paulo

26 Dezembro 2016 | 21h42

As previsões negativas dos varejistas de que o Natal de 2016 seria o segundo pior em mais de dez anos, só perdendo na queda para o de 2015, começam a se confirmar. Dois indicadores nacionais de volume de vendas mostram que o tombo foi bem menor.

Na semana do Natal, as vendas recuaram 4% em relação a igual período de 2015, segundo a Serasa Experian, empresa especializada em informações financeiras. Em 2015, a queda havia sido de 6,4% na comparação com o ano anterior. Apesar de ser dois anos seguidos de retração, isto é, queda sobre queda, o desempenho do Natal deste ano foi o segundo pior desde que consultoria começou a monitorar as vendas em 2003.

Os dados do SPC Brasil, que acompanha as vendas a prazo, também mostram uma retração menor. Neste ano, o recuo na semana do Natal foi de 1,46% em relação ao mesmo período de 2015, quando o volume de negócios a prazo tinha caído 15,84%

"Tem uma boa e uma má notícia nesse resultado", diz a economista a economista do SPC Brasil, Marcela Kawauti. A má notícia é que foi mais um ano de retração e a boa notícia é que essa retração foi menos acentuada. No entanto, ela não acha que seja possível afirmar que o varejo tenha chegado ao fundo do poço. Isso porque há muitos indicadores da economia real que interferem diretamente no consumo, como emprego, renda, juros, ainda com desempenho muito negativo.

Baixo astral. O dado curioso é que o setor de shoppings, normalmente o mais otimista do varejo, neste ano registrou os números mais negativos. De acordo com a Associação de Lojistas de Shopping (Alshop), as vendas caíram no Natal 3%.

No ano anterior o recuo havia sido de 2,8%. "Foi o pior resultado para o Natal dos últimos três anos", diz presidente da Alshop, Nabil Sahyoun.

Se for considerada a inflação do período, a queda em 2016 gira em torno de 8,5%, calcula o diretor da Alshop, Luís Ildefonso. As vendas nos shoppings ficaram concentradas em produtos de baixo valor unitário, como itens de perfumaria, vestuário e acessórios.

Já as vendas de eletrodomésticos, móveis e itens de tecnologia tiveram retração, de 4,5%, 9% e 6,5%, respectivamente, de acordo com a Alshop. Parte da queda de itens de maior valor é explicada pela Black Friday, a megaliquidação que houve de novembro, que provocou uma antecipação de compras.

A perda intensa de vendas dos shoppings também pode ser explicada pela migração de consumidores para as ruas de comércio popular, como Brás e a rua 25 de Março, em busca de preços mais em conta.

Além disso, o comércio eletrônico, onde a comparação de preço é mais fácil, absorveu boa parte dos clientes das lojas de shoppings. O Mercado Livre, que reúne várias lojas do comércio online, por exemplo, registrou crescimento de 53% nas vendas da página de produtos de Natal em relação ao mesmo período do ano passado.

Impulso. O fato de a queda nas vendas deste Natal ter sido menos intensa do que a de 2015 e não ter surpreendido os lojistas que tinham se preparado para uma venda menor tira o brilho das liquidações. Isso pode significar menos sobras de produtos, descontos menores e um fraco impulso para retomada da indústria em janeiro.

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