Vendas no comércio crescem em 'ritmo chinês'

Resultado de outubro foi 9,1% superior ao mesmo mês do ano passado e levou a Confederação do Comércio a revisar sua projeção para 2012

DANIELA AMORIM / RIO, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2012 | 02h09

As vendas no comércio varejista subiram 0,8% na passagem de setembro para outubro, sustentadas pelo mercado de trabalho forte e pelo avanço do crédito, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"O emprego continua aumentando e tem estado estável. Além disso, mesmo com toda a inadimplência, o crédito vem se expandindo, enquanto a taxa de juros vem diminuindo ao longo do tempo. Tudo isso tem sido favorável para o consumo", disse Reinaldo Pereira, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, responsável pela Pesquisa Mensal de Comércio.

Em outubro, favoreceram a expansão nas vendas as atividades de hipermercados e supermercados, móveis e eletrodomésticos, equipamentos e materiais para escritório e informática, livros e revistas e outros artigos de uso pessoal e doméstico. Na comparação com o mesmo mês de 2011, o aumento no volume vendido foi de 9,1%. "Foi um crescimento chinês", definiu André Guilherme Pereira Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.

O resultado fez a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revisar para cima suas projeções de aumento nas vendas este ano, de 8,5% para 9%. "O carro-chefe continua sendo bens duráveis (principalmente eletrodomésticos), que devem ter uma alta de 10,7% nas vendas em 2012", previu Fábio Bentes, economista da CNC.

De acordo com Bentes, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para móveis e eletrodomésticos tem ajudado a impulsionar o varejo, mas também há impacto da redução natural de preços. De janeiro a outubro, os preços nas atividades de equipamentos de informática e comunicação já caíram 7,5%, enquanto os móveis e eletrodomésticos ficaram 3,6% mais baratos, e veículos e motos, partes e peças registraram deflação de 2,8%, de acordo com a pesquisa.

A prorrogação da redução de IPI sobre automóveis também animou os consumidores em outubro em comparação ao mês anterior, puxando o avanço de 8% no volume vendido no varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção. Foi o melhor resultado desde junho de 2009, quando as vendas subiram 8,8%. "Em junho de 2009 também tinha o incentivo de IPI para automóveis", lembrou Pereira.

As vendas da atividade de veículos aumentaram 13,3% na passagem de setembro para outubro, após terem recuado 23,4% na leitura anterior. "A surpresa positiva com a Pesquisa Mensal de Comércio ampliada de outubro reforça a percepção de que o consumo das famílias está bem", afirmou, em relatório, o diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, Octavio de Barros. "O dado divulgado pelo IBGE não indica que o consumo final está ingressando em um ritmo insustentável."

O IBGE diz que o resultado do comércio varejista em 2012 deve ser melhor do que o verificado em 2011. No entanto, o aumento nas vendas não deve alcançar a marca de 2010, segundo Pereira. No ano passado, o comércio cresceu 6,7%, enquanto, em 2010, a alta chegou a dois dígitos (10,9%). "Provavelmente, pelos números que temos, vamos ter resultado melhor que no ano anterior, porque temos um aumento de 8,9% (de janeiro a outubro de 2012). E faltam apenas dois meses para fechar o ano, sendo meses de vendas de Natal."

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