Vendas no comércio superam previsões

Até o dia 19, indicadores de compras à vista e a prazo cresceram 8,75%

Vera Dantas, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2007 | 00h00

O ritmo de vendas no comércio aumentou nos últimos dias na comparação com igual período de 2006. Com o desempenho, as previsões já otimistas de crescimento para o mês de dezembro podem ser superadas.A expectativa para o Natal era de um crescimento em torno de 7% em relação à mesma data no ano anterior, segundo a Associação Comercial de São Paulo. Mas o movimento de vendas à vista e a prazo, até o dia 19, está, em média, 8,75% acima na comparação com idêntico período de 2006.O destaque é o crediário. As consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) registram aumento de 9,4% até o dia 19, ante igual intervalo em 2006. As vendas à vista também estão aquecidas, mas com variação um pouco menor. As consultas ao Usecheque mostram crescimento de 8,1%. Na avaliação dos economistas da Associação Comercial de São Paulo, porém, os quatro dias que precedem o ano-novo , de sexta a segunda-feira, quando grande parte da população viaja, podem atrapalhar as vendas e dezembro acabar fechando com resultados próximos ou abaixo do esperado.De qualquer maneira, na variação ano a ano, o comércio deverá ter o melhor Natal da década. "Se o índice de crescimento for de 7% será o melhor desde 1997", disse o diretor do departamento de economia da Associação Comercial de São Paulo, Marcel Solimeo. Há 10 anos, o movimento de vendas cresceu no Natal 32% por causa do aumento de consumo proporcionado pelo Plano Real.O ano de 2007, de acordo com suas projeções, ficará com crescimento em torno de 6% na comparação com 2006. O acesso ao crédito foi determinante nessa expansão. Em 2007, cerca de 22 milhões de novos consumidores tiveram seus nomes registrados nas consultas ao SCPC. É um crescimento de 35% em relação à base de 2006. Para 2008, a previsão é de continuidade do ritmo. "Será tão bom ou melhor do que 2007, que teve, além de crédito abundante, queda dos juros, expansão dos prazos do crediário, melhora do emprego e renda e o impacto das importações sobre os preços dos produtos", disse o presidente da Associação Comercial, Alencar Burti. Os problemas que podem afetar a economia em 2008 e, conseqüentemente, as vendas , ressalvou, são a crise do mercado hipotecário americano e as pressões inflacionárias, especialmente nos alimentos, que podem levar o Banco Central a ser mais cauteloso no corte de juros. Ele também disse estar preocupado com a política fiscal, não pela perda da receita da CPMF, mas pelo crescimento das despesas. "Mesmo assim acredito que em 2008 o comércio terá crescimento acima do PIB", observou.A inadimplência, que deve fechar 2007 com taxa de 5,6%, por enquanto não é alarmante, na avaliação da Associação Comercial.

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