Vendas no varejo caem 0,3% após 7 meses consecutivos de alta

Resultado, porém, não prejudica a variação acumulada no ano, de crescimento de 10,4%, segundo dados do IBGE

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

16 de dezembro de 2008 | 09h16

As vendas do comércio varejista caíram 0,3% em outubro ante setembro, na série com ajuste sazonal, a primeira queda em oito meses, comprovando a opinião da maioria dos analistas de que os efeitos da crise financeira no País começariam a aparecer nos dados do quarto trimestre. Mas, apesar de ter registrado queda no período, o resultado superou a mediana das previsões de analistas, de -0,65%. Além disso, a variação não mexeu muito com o resultado do varejo no ano, de alta de 10,4% até outubro, segundo dados divulgados nesta terça-feira, 16, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).   Veja também: Desemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise     Segundo o técnico da coordenação de comércio e serviços do IBGE, Reinaldo Pereira, os sinais da crise internacional sobre as vendas do varejo estiveram concentrados no segmento de veículos e motos, partes e peças. Essa atividade, que faz parte do chamado comércio varejista ampliado (que inclui também o segmento de construção), mostrou queda de 19,9% nas vendas em outubro ante setembro e recuo de 7,3% ante outubro do ano passado.   Segundo Pereira, essas quedas refletem a desconfiança do consumidor diante da crise, além da redução nos prazos de financiamento por causa da menor disponibilidade de crédito para o setor. No entanto, ele ressaltou que, com as recentes medidas governamentais de redução do IPI para automóveis, é possível que o resultado negativo seja revertido nos próximos meses.   Na comparação com setembro, as dez atividades pesquisadas, somente três registraram crescimento: livros, jornais, revistas e papelaria (3,6%); equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (1,4%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (0,2%).   Os desempenhos foram negativos, ainda ante setembro, nas atividades de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-0,1%); hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,2%); móveis e eletrodomésticos (-0,9%); combustíveis e lubrificantes (-1,1%) e material de construção (-1,9%); tecidos, vestuário e calçados (-4,4%).   Comparação anual   Na comparação com outubro de 2007, as vendas aumentaram 10,1%, o melhor resultado para o mês desde o início da série da pesquisa, em 2001. O aumento mostra uma pequena aceleração em relação ao resultado apurado em setembro na mesma base de comparação (9,3%). Entre as atividades pesquisadas pelo IBGE, a maior alta nessa base de comparação ficou com equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (44,1%).   Por outro lado, por causa do forte peso na pesquisa (cerca de 30%), a atividade de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que registrou alta de 7,4% nessa base de comparação, deu a maior contribuição porcentual (3,6 ponto, ou 36% do crescimento) para o crescimento das vendas totais do varejo no mês.   As demais atividades pesquisadas mostraram os seguintes resultados em outubro ante igual mês do ano passado: móveis e eletrodomésticos (15,8%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (13,9%); combustíveis e lubrificantes (10,5%); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (13,8%); livros, jornais, revistas e papelaria (19,8%) e tecidos, vestuário e calçados (0,3%).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.