Gabriela Bilo/Estadão
Gabriela Bilo/Estadão

Vendas no varejo caem 0,3% em julho, diz IBGE

Na comparação com o mesmo mês de 2015, as vendas recuaram 5,3%, pior resultado da série histórica

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2016 | 09h19

RIO - As vendas do comércio varejista caíram 0,30% em julho ante junho, na série com ajuste sazonal, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que esperavam desde uma queda de 0,90% a crescimento de 0,70%, com mediana de estabilidade.

Na comparação com julho de 2015, sem ajuste sazonal, as vendas do varejo tiveram baixa de 5,3% em julho de 2016. O recuo foi o pior desempenho para o mês da série histórica da Pesquisa Mensal de Comércio, iniciada em 2000 pelo IBGE.  Nesse confronto, as projeções iam de declínio de 3,40% a 6,50%, com mediana negativa de 5,00%. 

As vendas do varejo restrito acumulam retração de 6,7% no ano e recuo de 6,8% em 12 meses. A queda de 6,8% acumulada pelo varejo em 12 meses até julho também foi a retração mais acentuada da série histórica, que começa em 2001. 

Quanto ao varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção e de veículos, as vendas caíram 0,50% em julho ante junho, na série com ajuste sazonal. O resultado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que esperavam desde redução de 0,90% a crescimento de 1,30%, com mediana positiva de 0,70%. 

Na comparação com julho de 2015, sem ajuste, as vendas do varejo ampliado tiveram baixa de 10,2% em julho de 2016. Nesse confronto, as projeções variavam de retração de 6,30% a 14,90%, com mediana negativa de 8,20%. Até julho, as vendas do comércio varejista ampliado acumulam queda de 9,4% no ano e recuo de 10,3% e 12 meses. 

O comércio varejista registrou em julho perdas generalizadas entre os oito segmentos investigados, na comparação com o mesmo mês de 2015, com destaque para a retração nas atividades de Móveis e eletrodomésticos (-12,4%) e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-11,6%), segundo os dados da Pesquisa Mensal de Comércio.

Os demais resultados negativos foram em Combustíveis e lubrificantes (-9,9%), Tecidos, vestuário e calçados (-14,2%), Livros, jornais, revistas e papelaria (-18,6%), Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-12,9%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-3,2%).

O volume de vendas do setor de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo teve ligeira queda de 0,1% em julho ante julho de 2015. "Supermercados seguraram um pouco o resultado", avaliou Isabella Nunes, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE. Os supermercados tiveram o resultado menos negativo desde janeiro de 2015, quando as vendas cresceram 0,2%.

Apesar da resistência da inflação de alimentos, os supermercados estão conseguindo repassar os aumentos de preços para o consumidor, o que evitou perdas maiores no volume vendido pelo setor, avalia Isabella. Em julho, o volume vendido pelo comércio varejista recuou 5,3%, o pior desempenho para o mês da série histórica, iniciada em 2001. No setor de supermercados, entretanto, houve apenas ligeira redução de 0,1%.

"A receita dos supermercados está alta, mas a inflação está alta também. Então, em termos de volume, fica quase igual. Eles estão garantindo a receita", apontou Isabella. Segundo a gerente da pesquisa, o setor provavelmente está roubando vendas de outras atividades, uma vez que comercializa itens de primeira necessidade e consumo contínuo. "Quem está comprando alimentos em julho de 2016 está pagando 16% a mais do que em julho de 2015", acrescentou.

Na avaliação de Isabella, a retração nas vendas do varejo é consequência de uma piora no mercado de trabalho e na conjuntura econômica. Logo, uma recuperação no setor também depende da melhora dessas variáveis.

Já no varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, a queda de 10,2% em julho em relação ao mesmo mês de 2015 foi o pior resultado para o mês dentro da série histórica da pesquisa, iniciada em 2001. Tanto veículos quanto material de construção intensificaram o ritmo de queda. As vendas de veículos e motos, partes e peças diminuíram 20,0% em julho após recuo de 15,2% em junho. O segmento de material de construção recuou 12,6% em julho depois de uma perda de 9,6% em junho.

Revisões. O IBGE revisou o resultado das vendas no varejo em junho ante maio, que saiu de alta de 0,1% para elevação de 0,3%. A taxa de maio ante abril também foi revista, de -0,9% para -0,8%.

No varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, o volume vendido em maio ante abril foi revisado de -0,3% para -0,4%.

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