Antonio Lacerda/EFE - 12/05/2020
Antonio Lacerda/EFE - 12/05/2020

coluna

Thiago de Aragão: investidor estrangeiro vê como irreal promessa de Guedes de 4 privatizações em 90 dias

Mesmo com 'corrida' aos supermercados, vendas no varejo em março caem 2,5% ante fevereiro

Resultado divulgado pelo IBGE veio melhor que a mediana das expectativas coletadas pelo Projeções Broadcast, que previa recuo de 4,70%

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2020 | 09h05
Atualizado 13 de maio de 2020 | 12h50

RIO - Sob impacto da pandemia do novo coronavírus, as vendas no varejo recuaram 2,5% na passagem de fevereiro para março, pior desempenho em mais de 17 anos, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).  

Seis entre as oito atividades varejistas registraram perdas: Tecidos, vestuário e calçados (-42,2%), Livros, jornais, revistas e papelaria (-36,1%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-27,4%), Móveis e eletrodomésticos (-25,9%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-14,2%), Combustíveis e lubrificantes (-12,5%). A alta nas vendas de supermercados (14,6%) e farmácias (1,3%), consideradas atividades essenciais, evitou um desempenho ainda pior do comércio varejista.

No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, o volume de vendas recuou 13,7% em março ante fevereiro. O setor de Veículos, motos, partes e peças encolheu 36,4%, enquanto Material de construção teve redução de 17,1%.

“Nesse caso realmente o impacto é covid, tanto do lado positivo quanto negativo”, disse Cristiano Santos, analista do IBGE.

A corrida das famílias aos supermercados para estocar alimentos para a quarentena fez o setor de supermercados teve o maior avanço já registrado. Por outro lado, com estabelecimentos fechados, a queda no volume vendido foi recorde em março ante fevereiro nas atividades de veículos, combustíveis, vestuário, livros, móveis e eletrodomésticos, material de construção e outros artigos de uso pessoal e doméstico.

Para Cristiano Santos, ainda não é possível precisar de que forma a prorrogação das medidas de isolamento social ao longo de abril afetaram o volume vendido no mês seguinte.

“Você pode ter um fenômeno de aprendizado das outras atividade de vender por delivery, a gente não sabe como vai ser abril. E depois que pessoas entenderam a dinâmica (do isolamento durante a pandemia), elas podem ter freado um pouco o desejo de estocar alimentos. Não é uma inferência tão trivial assim dizer que 15 dias de março já deu esse impacto e abril será muito pior. Pode ser que a loja tenha entendido como entrar no mercado de comércio eletrônico, entregar em casa”, argumentou Santos.

A pandemia de Covid-19 impactou a receita de 14,5% do total de empresas que prestaram informações à Pesquisa Mensal de Comércio em março. “As que reportaram algum efeito de Covid sobre a receita representam 5.323 empresas”, disse Cristiano Santos.

Entre as empresas que deram alguma justificativa para a variação da receita em março, 43,7% citaram o coronavírus como principal causa.

Em março de 2020 ante março de 2019, houve uma queda de 23,0% no volume de vendas das empresas que relataram ter sentido o impacto da Covid-19 em suas atividades. Entre as empresas que não reportaram qualquer impacto da pandemia em suas receitas, o volume vendido cresceu 1,5%. No varejo ampliado, as empresas impactadas pelo Covid-19 tiveram um recuo de 26,8% nas vendas, enquanto os informantes que não relataram impacto venderam 3,1% menos. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.