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Vendas no varejo: o termômetro da economia

ANÁLISE: Otto Nogami*

O Estado de S.Paulo

14 de março de 2014 | 02h05

As despesas em consumo das famílias constituem o maior componente da demanda agregada no Brasil. Estes gastos dividem-se, basicamente, em três itens: bens duráveis (automóveis, geladeiras, eletrodomésticos, etc.), bens não duráveis (alimentos, roupas, combustíveis, etc.) e serviços (educação, assistência médica, etc.). Nesse sentido, torna-se importante entender a forma como estas despesas se comportam em uma economia, ao longo do tempo.

O fator mais importante que determina a demanda de consumo, ou seja, as despesas pessoais em bens e serviços de uma família é, geralmente, a renda (salários, juros, lucros e aluguéis). Outros elementos também podem influenciar as despesas de consumo, como o tamanho da família e a idade de seus componentes, o estoque de riqueza ou patrimônio, a taxa de juros de mercado, a disponibilidade de crédito, as rendas passadas e as expectativas com relação a rendas futuras.

Considera-se, entretanto, a renda atual (ou corrente) como o elemento mais importante na determinação das despesas de consumo. Observa-se que, à medida que a renda aumenta, as despesas em bens de consumo aumentam. E isso não é tudo: à medida que a renda cresce, a poupança também tende a aumentar. Desta forma, à medida que a renda das famílias tem crescido na última década a um ritmo de 4% ao ano no segmento de classe média, é de se esperar que o nível de consumo, proporcionalmente, seja cada vez maior.

Entretanto, não é isto que se observa nas estatísticas da Pesquisa Mensal de Comércio (IBGE). Apesar de os dados de janeiro apresentarem taxas de crescimento que surpreendem, diante de expectativas até negativas, ao se analisar o comportamento no acumulado de 12 meses constata-se uma tendência de queda no volume de vendas ao longo dos últimos meses, especialmente a partir de meados de 2013. Isto significa que, apesar do crescimento da renda, os efeitos inflacionários que corroem o poder de compra das famílias, bem como o aumento do endividamento, repercutem na economia reduzindo o dispêndio das famílias para atender suas necessidades e desejos, e sobrando, se é que sobra, muito pouco para a poupança privada.

Como o consumo das famílias representou 62,5% do PIB de 2013, e 61,1% no último trimestre do ano que passou, é de se esperar que o crescimento da economia brasileira em 2014, a se manter essa tendência, já esteja comprometido.

*Professor do Insper e sócio da Nogami Participações

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