Hélvio Romero|Estadão
Hélvio Romero|Estadão

Vendas no varejo recuam pelo segundo mês consecutivo

Queda no comércio varejista observada em outubro foi de 0,4% ante setembro; em comparação com o mesmo mês de 2017, as vendas aumentaram 1,9%

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2018 | 09h17

RIO - As vendas do comércio varejista recuaram 0,4% em outubro ante setembro, na série com ajuste sazonal, informou nesta quinta-feira, 13, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em comparação com o mesmo mês do ano anterior, as vendas aumentaram 1,9%.

Os dados apontam que o setor permanece em recuperação, mas com perda de ritmo. No mês, o comércio operou no mesmo patamar de novembro de 2015.

"Vamos observar os dois últimos anos", afirmou a gerente da pesquisa, Isabella Nunes, ao avaliar se 2018 poderá ser caracterizado com um ano de recuperação, após um período de crise, iniciada em meados de 2014.

A avaliação é que a precariedade do mercado de trabalho cria limitações para o consumo ser mais relevante. Há limitações, principalmente, em atividades que dependem do financiamento.

Em outubro, os segmentos de consumo de primeira necessidade, como alimentos e remédios, influenciaram positivamente na formação da taxa. Porém, foi intensa a queda de outros segmentos, com destaque para combustíveis, móveis e eletrodomésticos, e tecidos.

Na série com ajuste sazonal, a atividade de combustíveis e lubrificantes caiu 1,2%; a de móveis e eletrodomésticos, 2,5%; e a de tecidos, vestuários e calçados, 2%.

"O comportamento dos combustíveis responde ao aumento dos preços. Já o grupo de vestuários e calçados passou por quatro meses seguidos de crescimento (até setembro), período em que acumulou alta de 6,7%. Enquanto a venda de eletrodoméstico está relacionado a financiamento", destacou a responsável pela pesquisa.

O desempenho do comércio em outubro só não foi pior por causa do consumo básico, como hipermercados e farmacêuticos, por conta da estabilidade da renda e crescimento da população ocupada. Mas, pela baixa intensidade da alta, essas atividades não tiveram capacidade de compensar perdas em outros segmentos.

As vendas do varejo acumularam crescimento de 2,2% no ano. No acumulado em 12 meses, houve avanço de 2,7%.

O recuo de 0,4% observado em outubro ante setembro veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que esperavam desde uma queda de 0,80% a uma alta de 0,90%, mas abaixo da mediana calculada pelas instituições, que apontava para a estabilidade.

Dentro do conceito de varejo ampliado, que considera os negócios de automóveis e materiais de construção, também houve queda no indicador. O recuo foi de 0,2% em outubro em comparação a setembro. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, no entanto, as vendas no varejo ampliado avançaram 6,2%.

 

 

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