Vendas no varejo subiram, mas o cenário não é claro

As vendas no varejo medidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aumentaram em janeiro: 0,4% em volume, em relação a dezembro; 6,2%, em relação a janeiro de 2013; e 4,3% em 12 meses. Um desempenho favorável quanto ao passado recente e também do ponto de vista da amplitude, pois 8 dos 10 segmentos pesquisados indicaram alta, na série com ajuste sazonal. Ainda assim, o aumento das vendas não traz muita comemoração.

O Estado de S.Paulo

14 de março de 2014 | 02h07

Na avaliação da área econômica do Bradesco, por exemplo, o resultado de janeiro "reforça a expectativa de desaceleração do consumo das famílias na passagem do quarto trimestre de 2013 para o primeiro deste ano". E, segundo a Schwartsman&Associados, o varejo, pelo critério de médias móveis trimestrais, "mantém razoável a moderado nível de expansão", da ordem de 0,5% nas vendas totais e de 0,3%, no comércio restrito, que exclui vendas de veículos, peças e material de construção.

Com base em dados mais recentes, relativos a fevereiro, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) enfatizou o pequeno crescimento das consultas para vendas a prazo, de apenas 0,69% em comparação com fevereiro de 2013.

Pelos dados do IBGE, a recuperação do varejo, em janeiro, comporta várias explicações. Nas aquisições de veículos novos, por exemplo, a alta das vendas se deveu à manutenção do incentivo do IPI pelas concessionárias. No caso do varejo de eletrodomésticos, em especial aparelhos de ar-condicionado e geladeiras, os consumidores aceitaram pagar preços mais elevados por causa do forte calor.

Melhoraram, também, as vendas nos super e hipermercados - nesses casos, em ritmo superior ao esperado pelas consultorias econômicas. Esse é o fato mais positivo do varejo, pois indica a preservação de emprego e renda do consumidor final.

A inflação parece pesar mais nas decisões de consumo. O adiamento das compras, em dezembro, pelo temor de pagar mais caro por causa do Natal, alimentou a disposição inversa em janeiro, mês de liquidações, com preços mais convidativos.

Mas ainda não apareceram indicações claras de uma prática habitual em tempos de inflação alta: a de que as pressões em curso sobre os preços estariam levando à antecipação de compras, diante do temor de pagar mais caro no futuro próximo. Se isso sobrevier, as dificuldades de controle da inflação se tornam maiores, a ponto de influenciar a política monetária e o juro básico.

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