Tiago Queiroz/Estadão - 23/11/2018
Tiago Queiroz/Estadão - 23/11/2018

Vendas no varejo têm alta de 0,3% em março, diz IBGE

Supermercados e combustíveis foram os segmentos que mais pesaram no resultado ainda fraco do setor; na comparação com o mesmo mês do ano passado,houve recuo de 4,5%, pior desempenho desde dezembro de 2016

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2019 | 09h38

As vendas no varejo subiram 0,3% em março, na comperação com o mês anterior, depois de terem ficado estáveis em fevereiro,  informou nesta quinta-feira, 9, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A média móvel trimestral também variou 0,3%, depois de cair 0,6% em fevereiro.

No primeiro trimestre do ano as vendas do varejo avançaram 0,2% em relação ao quarto trimestre. No confronto com o período de janeiro a março de 2018, houve aumento de 0,3%.

Em relação a março do ano passado, as vendas em março caíram 4,5%, interrompendo sete meses de alta com a variação negativa mais acentuada desde dezembro de 2016, quando registrou queda de 4,9%. 

Em relação ao dado mensal, a alta de 0,3% veio dentro do intervalo das expectativas da pesquisa do Projeções Broadcast, de queda de 1,1% a elevação de 2,2%, mas aquém da mediana, positiva de 1,0%. Na comparação com março do ano passado, o resultado de -4,5% veio igual ao piso; o teto era de alta de 2,7% e a mediana, de -2,7%.

Nos últimos 12 meses, a alta foi de 1,3%, registrando uma desaceleração em relação a fevereiro, quando obteve avanço de 2,3%. Essa taxa se mantém decrescente desde agosto de 2108, informou o IBGE. 

Das oito atividades pesquisadas, cinco ficaram negativas, com destaque para hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, em queda de 0,4%, e combustíveis e lubrificantes, com recuo de venda de 0,8%.

Segundo a gerente da Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE, Isabella Nunes, as vendas dos supermercados e dos combustíveis foram puxadas para baixo pela pressão dos preços em março. Ela ressaltou que, no caso dos supermercados, as vendas foram prejudicadas também pelo deslocamento do feriado da Páscoa, que no ano passado caiu em 1.º de abril, concentrando as vendas em março e elevando a base de comparação.

"São taxas negativas que não eram observadas há algum tempo. No caos dos supermercados teve efeito forte do deslocamento da Páscoa, e assim como os combustíveis o preço também pesou", explicou.

"O cenário de preços de alimentos pressionados limita o segmento de supermercados, que foi o mais prejudicado, também pelo resultado da confiança, que sofreu uma desaceleração em janeiro, após os ganhos pós-eleição no final do ano passado", disse a analista da Tendências Consultoria Integrada Isabela Tavares.

Para os próximos trimestres, a analista espera que a confiança do consumidor melhore, com sinais de que a reforma da Previdência vai ser aprovada e, consequentemente, a retomada da atividade econômica. 

Em relação ao impacto do resultado do varejo para o Produto Interno Bruto (PIB), a consultoria já estava contemplando um primeiro trimestre de estabilidade, visto que o desempenho da indústria veio negativo, enquanto o comércio, que registrou leve alta, deve compensar. "Esperamos 0,2% de margem para o PIB do primeiro trimestre", afirmou.

Veículos e material de construção

As vendas do varejo ampliado, que incluem veículos, motos, parte e peças e de material de construção, tiveram alta de 1,1% em relação a fevereiro, após recuo de 0,5% no mês anterior. A média móvel do trimestre subiu 0,5%, contra a queda de 0,4% em fevereiro. Em relação a março de 2018, as vendas do varejo ampliado despencaram 3,4%, interrompendo uma série de 22 taxas positivas. 

No primeiro trimestre, o varejo ampliado acumulou alta de 2,3% na comparação com igual trimestre de 2018 e cresceu 0,3% ante o quarto trimestre do ano passado 2018. Ainda, acumulou ganho de 3,9% nos últimos doze meses. 

O resultado de março ante fevereiro ficou aquém da mediana das estimativas, positiva em 1,6%, e dentro do intervalo das previsões, de queda de 1,4% a alta de 2,6%. A queda na comparação interanual foi maior que a mediana, negativa de 2,50% (intervalo de -4,7% a -0,9%). 

A venda de veículos, motos, partes e peças subiu 4,5% e a de material de construção teve alta de 2,1%, na comparação de março contra o mês anterior. Frente a março de 2018, a venda de veículos, motos, partes e peças caiu 1,2% e a de material de construção permaneceu estável. / COLABOROU LUISA MARINI

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