Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Vendas no varejo têm maior queda no trimestre desde 2003

Volume de vendas recuou 0,8% nos três primeiros meses do ano, segundo IBGE; no varejo ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, queda no período foi de 5,3%

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

14 Maio 2015 | 09h09

As vendas no comércio varejista tiveram o pior resultado desde 2003, segundo cálculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dados divulgados nesta quinta-feira, 14, apontam queda de 0,8% nas vendas do varejo restrito no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Este foi o pior resultado para a comparação desde o terceiro trimestre de 2003, quando o recuo foi de 4,4%. Na comparação com fevereiro deste ano, a queda nas vendas foi de 0,9% no mês. 

No varejo ampliado, categoria que inclui veículos e materiais de construção, houve recuo de 5,3% nos primeiros três meses do ano, o menor resultado desde o início da série, em 2004. Na comparação entre fevereiro e março, a queda foi de 1,6%. 

Os dados são vistos como indícios da desaceleração econômica no País e, de acordo com analistas, influenciam o resultado do IBC-Br, uma vez que são utilizados no cálculo. O índice de atividade do Banco Central será divulgado na sexta-feira, 15. 

Além do menor avanço da renda, outros fatores têm afetado a decisão de compras das famílias brasileiras. “Há um arrefecimento do consumo de forma geral, mas algumas atividades têm sido mais impactadas do que outras. O crédito está crescendo menos, assim como a renda, e a inflação está elevada”, disse Juliana Paiva Vasconcellos, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.

Segundo a gerente, um dos setores mais afetados pelo crédito é o de veículos, cujas vendas cederam 4,6% em março ante fevereiro. “O segmento vinha recebendo muitos incentivos do governo para as vendas, e agora há redução do ritmo bem clara. Com a retirada do desconto no IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), a conjuntura econômica desfavorável, a restrição ao crédito e a menor renda, é normal que as famílias coloquem o pé no freio no consumo desse bem”, afirmou.

Por atividade. Dentre as dez atividades pesquisadas o pelo IBGE, sete apresentaram resultados negativos em relação a fevereiro: veículos e motos, partes e peças (-4,6%); móveis e eletrodomésticos (-3,0%); livros, jornais, revistas e papelaria (-2,3%); hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-2,2%); tecidos, vestuário e calçados (-1,4%); material de construção (-0,3%); e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-0,2%).

As três atividades que tiveram crescimento no mesmo período foram: combustíveis e lubrificantes (2,8%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,2%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (1,2%).

Na comparação com março do ano passado, o impacto negativo no resultado ficou por conta das categorias hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-2,4%); móveis e eletrodomésticos (-6,8%); combustíveis e lubrificantes (-2,1%); e tecidos, vestuário e calçados (-1,2%). 

Sobre a categoria que abarca os supermercados, Juliana observa que nem o maior número de dias úteis em março deste ano conseguiu salvar o setor de uma perda. De acordo com ela, a massa de rendimento real habitual desacelerou o crescimento em 12 meses de 2,6% em março de 2014 para 1,8% em março de 2015.

Já o segmento de outros artigos de uso pessoal e doméstico teve alta de 17,4% nas vendas em março ante igual mês do ano passado. “Nesse segmento, são pesquisadas as lojas de departamento, e as vendas de ovos de Páscoa acabaram influenciando. Apesar de a Páscoa ter caído no mês de abril, foi bem no início, então as vendas ocorreram em março”, explicou Juliana.

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