Vendas no varejo em julho têm a queda mais forte desde 2000

Em julho, as vendas recuaram 1% na comparação com junho e registraram o pior resultado para o mês em 15 anos, segundo o IBGE; no ano, varejo já recuou 2,4%

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

16 Setembro 2015 | 09h22

As vendas do comércio varejista restrito caíram 1,0% em julho ante junho e registraram o sexto recuo seguido, na série com ajuste sazonal, informou nesta quarta-feira, 16, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda é a mais intensa para o mês desde 2000, quando teve início a série histórica da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC).

O resultado apurado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que esperavam desde uma queda de 1,90% até um recuo de 0,40%.

A última vez em que houve uma sequência tão grande de queda no varejo foi entre janeiro e julho de 2001, com recuo acumulado de 2,9% naquele intervalo. "É uma proporção diferente de queda", disse Isabella Nunes, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE. "Em julho deste ano, tivemos uma intensificação dos recuos em todos os recortes", acrescentou.

Na comparação com julho do ano passado, sem ajuste sazonal, as vendas do varejo tiveram queda de 3,5% em julho deste ano. O recuo é o mais intenso para o mês desde 2003 (-4,4%). Até julho, as vendas do varejo restrito acumulam queda de 2,4% no ano e recuo de 1,0% nos últimos 12 meses.

Ampliado. Já as vendas do varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção e de veículos, subiram 0,6% em julho ante junho, na série com ajuste sazonal. O resultado positivo foi o primeiro desde novembro do ano passado.

Na comparação com julho do ano passado, sem ajuste, as vendas do varejo ampliado tiveram queda de 6,8% em julho deste ano. No ano, as vendas do comércio varejista ampliado acumulam queda de 6,5% e recuo de 4,9% nos últimos 12 meses.

Veículos. Em julho, as vendas de veículos cresceram 5,1% na comparação com junho. Foi a maior alta desde novembro de 2014 neste tipo de confronto. Segundo o IBGE, esse crescimento não sinaliza uma retomada do setor. "Seria precipitado dizer que a venda de veículos cresceu. É apenas uma compensação. O setor segue numa trajetória descendente", disse Isabella.

A prova disso é que, na comparação com julho de 2014, o setor continuou registrando perdas. As vendas encolheram 13,3% no confronto anual. Dependente de crédito e da confiança dos consumidores, o setor não encontra conjuntura favorável, afirmou Isabella. 

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