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Vendas para a Argentina caem 50%

Protecionismo e recuo nas compras argentinas de carros têm forte impacto na balança comercial brasileira

Alberto Komatsu, O Estadao de S.Paulo

25 de fevereiro de 2009 | 00h00

As barreiras comerciais impostas pela Argentina, aliadas à forte queda na compra de veículos fabricados no Brasil, têm um impacto na balança comercial brasileira mais intenso do que o que a crise internacional vem provocando nos demais mercados para onde o Brasil exporta. Em janeiro deste ano, as vendas externas brasileiras foram US$ 3,5 bilhões menores que as do mesmo mês do ano passado. Mais de 40% desse recuo (US$ 1,4 bilhão) é atribuído à América Latina. Para a Argentina foi exportado, em dólares, a metade do valor de janeiro de 2008. O desempenho das exportações por região foi compilado pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), com dados do Ministério do Desenvolvimento e da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).De acordo com o estudo, a América Latina mais o Caribe formavam o maior mercado de destino de produtos brasileiros (em valores), com 27,13% de participação em janeiro do ano passado. Essa fatia recuou para 21,99% no mês passado. Com isso, os latinos foram ultrapassados pela União Europeia (UE) na lista de mercados da pauta comercial brasileira. "A América Latina é exportadora líquida de commodities. Com a queda dos preços das commodities, eles estão com dificuldade de divisas, menos receita e contração de mercado", avalia o vice-presidente da AEB, José Augusto de Castro.Segundo ele, o principal responsável pelo recuo das compras de produtos brasileiros pelos países latino-americanos é a retração das compras argentinas de automóveis fabricados no Brasil. Castro acredita que a adoção de medidas protecionistas pela Argentina tende a piorar a corrente de comércio com o Brasil.O pé no freio nas compras argentinas de veículos montados no Brasil foi constatado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). De acordo com a entidade, a Argentina é o maior cliente da indústria automotiva brasileira, pois responde por pouco mais de 40% das compras desse produto. O recuo argentino nas compras de carros brasileiros estão em queda desde 2006, quando foram exportados para o país vizinho 843 mil unidades, segundo a Anfavea. No ano seguinte foram 789 mil veículos, seguidos por 735 mil automóveis no ano passado. A desaceleração das compras argentinas de carros brasileiros fica mais evidente a partir de outubro de 2008, mês seguinte ao do início da fase mais aguda da crise. Naquele mês, os dados da Anfavea mostram que as exportações brasileiras de carros para a Argentina alcançaram 69 mil unidades. Em novembro, o volume recuou para 50,5 mil, seguido por 44 mil em dezembro. No mês passado, os argentinos importaram 23 mil veículos."As exportações para a América Latina já tinham começado a cair antes da crise. Desde meados de maio do ano passado começou uma tendência de queda. Com a crise, isso se acentua", avalia a gerente executiva de Negociações Internacionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Soraya Rosar. O chefe do escritório de Brasília da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), Renato Bauman, elege mais motivos para a queda das exportações brasileiras para a América Latina. "São as barreiras protecionistas da Argentina, perda de participação de mercado dos produtos brasileiros para os chineses e, no conjunto geral, perda de receita dos países latinos por causa da queda nos preços das commodities", afirma Baumann.

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