Gabriela Biló|Estadão
Gabriela Biló|Estadão

Vendas para o Dia dos Pais caem mais de 5%

Desempenho foi semelhante ao de outras datas comemorativas este ano, o que indica que a melhora esperada para a economia no segundo semestre ainda não se concretizou; vendas a prazo recuaram mais de 7%

Daniel Weterman, Álvaro Campos, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2016 | 17h07

As vendas do comércio para o Dia dos Pais caíram 5,2% na comparação com a mesma data no ano passado no País, mostra levantamento da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). No ano passado, já havia sido observado um recuo interanual de 0,8% no resultado.

Segundo a instituição responsável pelo levantamento, os resultados mostram que o Dia dos Pais teve um desempenho em linha com as outras datas comemorativas e não trazem boas notícias ao varejo. "As esperanças de que a data fosse indicar algum grau de recuperação (ou de resultados menos ruins) não se confirmou, apesar da melhoria da confiança do consumidor e do empresário", diz nota da Boa Vista SCPC.

 

As dificuldades que ainda estão no cenário, como juros elevados, mercado de trabalho deteriorado e inflação alta, continuam impactando negativamente o setor, segundo a nota. "Caso o cenário mais benigno apontado pelas projeções de mercado se consolidem, possivelmente poderemos visualizar nas próximas datas comemorativas uma inflexão de tendência." 

O cálculo leva em consideração o cenário nacional. Para o Dia dos Pais, a Boa Vista SCPC realizou consultas de 7 a 14 de agosto de 2016, comparando com levantamentos de 2 a 9 de agosto de 2015.

Parcelamento. As vendas a prazo caíram 7,15% este ano na comparação com 2015, segundo pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Em 2015 a queda na mesma base de comparação havia sido ainda maior, de 11,21%.

O Dia dos Pais é a primeira data comemorativa do segundo semestre, e por mais que fique atrás do Natal, Dia das Mães e Dia dos Namorados no volume de vendas, funciona como um termômetro para as próximas datas, como Dias das Crianças e Natal. Segundo uma pesquisa de intenção de compras feita pelo SPC Brasil, os produtos mais procurados neste período são os itens de vestuário, perfumes e cosméticos, calçados e acessórios.

Para o presidente da CNDL, Honório Pinheiro, as incertezas com relação ao emprego e os rumos da inflação têm impactado nos compromissos financeiros, como o parcelamento de compras. "Considerando o fraco desempenho das outras datas comemorativas ao longo de 2016, a expectativa dos lojistas já era baixa. A piora das condições econômicas, como o aumento do desemprego, da inadimplência e o crédito mais restrito exercem forte impacto sobre o consumidor, que acaba sendo obrigado a limitar e rever seus gastos para salvar as finanças", avalia.

Na avaliação da economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, a intenção de presentear ainda é alta, mas neste ano houve um redirecionamento para os presentes mais baratos e geralmente pagos à vista, tendo em vista que os consumidores estão mais preocupados em não comprometer o próprio orçamento com compras parceladas. 

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