Vendas reais da indústria caem 7,31%

As vendas reais da indústria caíram 7,31% em maio ante o mesmo mês de 2001, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em relação a abril, a redução foi de 0,56% - o que considerando o aumento de vendas tradicional de maio, corresponde a uma queda de 3,19% nas vendas. Os resultados reverteram um quadro de expansão moderado dos quatro meses anteriores e levaram a variação acumulada no ano, que até abril era positiva, a ser negativa em 1,46% ante o mesmo período de 2001. "Já em maio a indústria foi atingida pela piora do ambiente econômico", diz o coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco. De maio para cá, esse ambiente só piorou, o que se reflete na alta do dólar e do risco Brasil. No entanto, o economista acredita que "ainda é cedo para afirmar que maio marque o início de uma trajetória negativa". De acordo com ele, "a economia provavelmente vai ficar estagnada enquanto houver essa incerteza sobre como será a política econômica do próximo governo". De acordo com ele, não é tão importante qual é o nome do candidato que vai ganhar as eleições, mas quais as iniciativas e os instrumentos que vai usar para alcançar o objetivo declarado por todos os pretendentes à Presidência - aumentar o crescimento econômico e as exportações. JurosSegundo Castelo Branco, "a performance de maio reflete uma certa frustração da indústria porque não houve a queda de juros que se esperava naquele momento e foi feito um ajuste porque as taxas afetam o crédito e, principalmente, os setores que dependem de crédito ao consumidor final". Houve um aumento no número de postos de trabalho de 0 48% em relação a abril, mas este resultado ficou aquém do que deveria ser explicado pelo aumento sazonal do mercado de trabalho, o que significou queda de 0,10% no período no indicador com ajuste sazonal. Essa redução interrompeu uma seqüência de taxas positivas nos cinco meses anteriores nesse tipo de comparação. O Estado de São Paulo foi o único em que não houve aumento de postos de trabalho, com redução de 0,10%. Os motivos principais para essa queda do emprego no Estado, segundo a CNI, foram a dispensa no setor de produtos alimentares depois da Páscoa e na indústria têxtil depois de atendida a demanda para a Copa do Mundo, além de demissões no setor mobiliário, que está com fraco desempenho. SaláriosEm relação a maio do ano passado, a queda no pessoal empregado foi de 0,52%. No ano, os salários líquidos reais encolheram 0,84%, o pessoal empregado acumula redução de 0 78%, mas as horas de trabalho na produção ainda estão positivas em 0,25%. Ficaram negativos em relação a maio de 2001 os indicadores de horas trabalhadas na produção (- 1,11%) e de salários líquidos reais (- 0,98%). Já em relação a abril, os salários líquidos reais cresceram 0,64%, novamente abaixo do que poderia ser explicado pela época do ano, resultando em uma queda de 0,84% no indicador de salário com ajuste sazonal de abril para maio. A utilização da capacidade instalada também caiu. Passou de 81,8% em maio de 2001 e de 81,4% em abril para 81,3% em maio deste ano. Considerando o ajuste sazonal, o uso da capacidade instalada passou de 80,6% em abril e de 81% em maio de 2001 para 80,4% em maio deste ano.

Agencia Estado,

08 de julho de 2002 | 16h02

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