Vendas reais em supermercados sobem 2,75% em junho

Segundo presidente da Abras, vendas devem manter taxas de crescimento semelhantes no segundo semestre, na faixa dos 4,2% em relação a igual período de 2010

Rodrigo Petry, da Agência Estado,

28 de julho de 2011 | 11h38

As vendas reais nos supermercados cresceram 2,75% em junho na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo divulgou nesta quinta-feira, 28, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Em relação a maio deste ano, o faturamento dos supermercados caiu 2,64%. No primeiro semestre, as vendas subiram 4,25% em relação ao mesmo período de 2010. Os números estão deflacionados pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

O volume das vendas nos supermercados subiu 3,4% entre janeiro e junho frente a igual intervalo de 2010, de acordo com levantamento da Nielsen, realizado a pedido da Abras. Os maiores crescimentos foram bebidas alcoólicas (+8,5%) e perecíveis (+6,4%).

O valor da cesta AbrasMercado, formada por 35 produtos considerados de largo consumo, como alimentos, limpeza e beleza, medido pela GfK, apresentou queda de 0,18% nos preços em junho ante maio, para R$ 299,24. Já na comparação com junho de 2010, o valor da cesta subiu 8,46%.

Os produtos com maiores quedas em junho ante maio foram batata (-15,14%), frango congelado (-5,75%) e sal (-2,13%). As maiores altas no período ficaram com tomate (+9,01%), cebola (+4,02%) e café torrado (+3,81%). No acumulado do ano, a cesta AbrasMercado acumula queda de 2,55%.

Estabilidade

As vendas devem manter no segundo semestre taxas de crescimento semelhantes às observadas nos seis primeiros meses deste ano, na faixa dos 4,2% em relação a igual período de 2010. Segundo o presidente da Abras, Sussumu Honda, os efeitos das medidas do governo para desacelerar a atividade econômica vão afetar a demanda nos supermercados na segunda parte do ano, especialmente de itens de maior valor agregado, que em alguns casos são adquiridos pelos consumidores por meio de financiamento.

"Os supermercados e hipermercados vêm ampliando o mix de produtos de maior valor agregado, reduzindo o espaço nas lojas para a venda de alimentos. As medidas (do governo) não devem afetar a venda de commodities, como arroz, feijão e óleo, mas de produtos que operam com margens maiores e trazem maior faturamento aos supermercados", disse, em entrevista a jornalistas.

Segundo o dirigente, a venda de itens da cesta básica continuará sendo impulsionada ao longo do ano pelo aumento da renda e do emprego, mesmo que num ritmo menor do que observado no ano passado, em conjunto com os reajustes salariais previstos até o final do ano pelos dissídios coletivos de várias categorias de trabalhadores.

O dirigente acrescentou que sazonalmente a segunda parte do ano apresenta melhor desempenho de vendas, mas ponderou que a forte base de comparação com os resultados de 2010 poderá limitar o avanço porcentual do faturamento dos supermercados. "Continuamos projetando uma alta real de 4% das vendas, mas espero que possa ser maior", afirmou. No ano passado, as vendas reais subiram 4,2% frente a 2009.

Preços

A redução nos preços é outro fator que contribuirá para a manutenção do crescimento das vendas. Segundo levantamento de preços da Abras, com 35 produtos considerados de largo consumo, como alimentos, limpeza e beleza, medido pela GfK, os preços dos produtos acumulam queda de 2,55% entre janeiro e junho.

Sobre o mês de julho, Honda destacou que as vendas devem apresentar uma aceleração frente a junho em razão deste mês contar com cinco semanas "cheias", com finais de semana completos.

A desaceleração do crescimento do volume das vendas atingiu as principais categorias de produtos comercializados nos supermercados. Segundo levantamento, a quantidade de produtos vendidos nos autosserviços subiu 3,4% no primeiro semestre deste ano em comparação a igual período de 2010, frente a um aumento de 6,5% do mesmo intervalo do ano passado em relação aos seis primeiros meses de 2009.

De acordo com a pesquisa, o crescimento das vendas de bebidas alcoólicas desacelerou de 15,3%%, registrado no primeiro semestre do ano passado, para 8,5% nos seis primeiros meses de 2011. Na mesma comparação, houve desaceleração do aumento das vendas de bebidas não alcoólicas, de 10,9% para 3,9%; de produtos perecíveis, de 9,5% para 6,4%; de limpeza caseira, de 6,4% para 2,6%; de mercearia salgada, de 5,3% para 0,1%; de mercearia doce, de 3,3% para 1,9%; de limpeza caseira, de 6,4% para 2,6%; e de higiene e beleza, de 3,3% para 2,9%.

Por produto, no primeiro semestre, os maiores crescimento ficaram com vinho (30,8%), suco de frutas pronto para o consumo (20,5%), bebida à base de soja (16,6%), chocolate (14,6%), salgadinho para aperitivos (11,9%), carnes congeladas (9,1%), desodorante (9%), cigarro (7,5%), cerveja (6,4%) e iogurte (4,6%). As maiores quedas foram de purê de tomate (-16,6%), sabão em barra (-12,5%), chá (-10,7%), farinha de trigo (-7,6%), lã de aço (-7,3%), aguardente de cana (-6,7%), óleo e azeite (-6,2%), arroz (-5,1%), extrato de tomate (-3,8%) e café em pó e grãos (-3,3%).

No semestre, as vendas na região do Grande Rio de Janeiro foram as que registraram as maiores taxas de crescimento, de 8,3% em comparação ao mesmo período do ano passado. Na sequência, aparecem a região Sul (5,2%); Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal (3,9%); região Nordeste (3,9%); Espírito Santo, Minas Gerais e interior do Rio de Janeiro (3,7%); Grande São Paulo (2,7%); e interior de São Paulo e litoral (0,5%).

Por região, a cesta básica do Norte em junho foi a mais cara, ao custo de R$ 333,58 (alta de 2,14% frente a maio), seguida pelo Sul, de R$ 331,77% (-1,14%), Sudeste, de R$ 286,91 (-1,19%), Centro-Oeste, de R$ 287,23 (+0,03%) e Nordeste, de R$ 250,21 (-0,97%).

(Texto atualizado às 15h31)

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