Vendas reais na indústria crescem no ano 1,53% até maio

As vendas reais na indústria cresceram 0,38% em maio ante abril, no índice já dessazonalizado ? sem interferência de fatores temporais ?, segundo informou hoje a Confederação Nacional da Indústria (CNI). De janeiro a maio, as vendas da indústria acumularam aumento de 1,53% ante igual período do ano passado. Relativa estabilidade ocorreu também nas horas trabalhadas na produção, que tiveram aumento de 0,06%, na mesma base de comparação. O número do pessoal empregado na indústria teve queda de 0,34% em maio ante abril, e os salários líquidos reais também caíram (0,19%). Quando utilizado o índice cheio (sem dessazonalização), as vendas reais cresceram 4,46% e as horas trabalhadas, 3,31%. Nessa base de comparação, o número do pessoal empregado teve ligeira alta, de 0,29%, assim como os salários reais, em 0,91%. A utilização da capacidade instalada da indústria se manteve estável, em maio ante abril, com 79,8%. Em maio do ano passado, o índice foi de 80,5%. Por Estados, a indústria de Minas foi a que teve o melhor desempenho em maio, com crescimento de 13,63% das vendas reais em relação ao mês de abril, seguida da indústria do Paraná, com 11,72%. Na outra ponta ficou a indústria do Amazonas, única com queda em maio, de 3,57%. Sinal amarelo A queda de 0,34% no total de pessoal emprego pela indústria em maio, ante abril, acendeu o "sinal amarelo" para o trabalhador, afirma o coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco. "Até abril, o baixo ritmo de vendas não tinha tido repercussão no emprego. Maio foi o primeiro sinal de que as dificuldades da indústria chegaram ao mercado de trabalho do setor, principalmente porque maio é um período mais favorável a o emprego", analisou Castelo Branco. Segundo a CNI, foi a primeira queda desse indicador em seis meses. O coordenador não prevê melhora do emprego na indústria no segundo semestre, uma vez que as vendas do setor tendem, na opinião dele, a se estagnar no período. A queda de 7,04% no salário líquido real do trabalhador da indústria no acumulado de janeiro a maio, em relação a igual período do ano passado, indica também, para Castelo Branco, dificuldade de vendas do setor. "Isso é perda de poder de compra do trabalhador, ou seja, não há um crescimento da demanda nem de consumo, e então não gera renda", finalizou. Ele afirmou, ainda, que as exportações brasileiras não podem mais ser consideradas "a grande alavanca" do crescimento para este ano. "É claro que elas têm uma importância muito grande, mas o ritmo de crescimento delas tende a cair no segundo semestre, e elas já não podem mais ser consideradas a única fonte de crescimento. O crescimento, inclusive das exportações, deve vir da melhoria das condições estruturais do País via aprovação das reformas, melhoria do mercado interno e da infra-estrutura", disse.

Agencia Estado,

08 Julho 2003 | 16h10

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