''Vendas vão recuar até 420 mil veículos este ano''

Entrevista - Jaime Ardila: presidente da General Motors do Brasil; número significa que o mercado brasileiro vai encolher 15%, ?mas previsões são melhores que as do fim do ano?

Cleide Silva, O Estadao de S.Paulo

09 de janeiro de 2009 | 00h00

O presidente da General Motors (GM) do Brasil, Jaime Ardila, projeta uma queda de 11% a 15% nas vendas totais do mercado brasileiro de veículos este ano. Se confirmado, será o primeiro recuo após cinco anos seguidos de crescimento. A Anfavea, entidade que representa o setor, somente fará suas previsões em fevereiro. A GM, como as demais montadoras, estuda medidas para reduzir a produção, caso as vendas de carros não reajam nos próximos meses. Uma delas é a não renovação de cerca de 3 mil contratos de funcionários temporários. A seguir, trechos da entrevista ao Estado. Qual a expectativa da GM para o mercado brasileiro em 2009?Trabalhamos com uma projeção menor que a de 2008. Para nós, será razoável se o mercado atingir de 2,4 milhões a 2,5 milhões de veículos, já contando com as medidas recentemente anunciadas pelo governo, de redução de impostos, e também com a expectativa de queda nos juros.Serão de 320 mil a 420 mil veículos a menos que em 2008?Sim, mas são previsões melhores do que as do fim do ano. Em novembro, achávamos que a queda seria mais significativa. Chegamos a imaginar um mercado de 2,1 milhões de unidades para este ano.A redução do IPI anunciada em meados de dezembro vale só até março. Com a volta do imposto normal, o consumidor pode se retrair novamente?Avaliamos que muitas das vendas nesse período serão uma antecipação de compra, por isso precisamos ter cuidado. Achamos, porém, que novas medidas serão adotadas, como a redução dos juros e a maior disponibilidade de crédito para financiamentos.A GM foi uma das marcas com maior queda de vendas no País nos últimos dois meses, o que aconteceu?Decidimos não financiar as vendas para frotistas. Foi uma decisão financeira, que resultou em perda de participação no mercado, mas nesse mês as coisas começarão a voltar ao normal.Para a produção nacional, qual sua projeção?A produção, sem dúvida, deve ficar abaixo de 3 milhões de veículos. As exportações devem cair mais. As exportações da GM, em 2008, caíram 20%, para 100 mil unidades, e este ano deve baixar para 80 mil unidades. A desvalorização do real deve ajudar a indústria a reconquistar alguns mercados perdidos, mas o efeito disso só vai aparecer em 2010.A GM vai adotar outras medidas de flexibilização, além das novas férias coletivas, já anunciadas em algumas fábricas?Vamos analisar o mercado e definir nas próximas semanas as medidas a serem tomadas. Temos cerca de 3 mil contratos temporários que vão expirar ao longo do ano, a partir de março e abril. Vamos avaliar se precisamos manter esses contratos. Medidas como lay off e suspensão de contratos de trabalho não temos planos de adotar.A crise da matriz nos EUA atrapalha a filial brasileira?Não. Nós temos independência para tocar nossos projetos e geração de caixa para bancar investimentos,sem necessidade de recursos dos Estados Unidos.

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