Vendedor devia R$ 5 mil e vai pagar só R$ 131

Serasa Experian inicia mutirão para renegociar dívidas de consumidores em São Paulo

LAÍS ALEGRETTI , LUCAS HIRATA, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2012 | 03h08

O paulistano Gabriel Taveira vai pagar apenas R$ 131 para quitar uma dívida de R$ 5 mil. Ele negociou o débito do cheque especial com a Caixa Econômica Federal no "Feirão Limpa Nome", que começou ontem em São Paulo. A organizadora do evento, a Serasa Experian, espera receber 60 mil pessoas até sábado.

Taveira ficou endividado após perder o emprego, em 2008. Na época, usou cerca de R$ 600 do cheque especial - que, com os juros, se transformaram em R$ 5 mil. "Agora vou fazer de tudo para evitar compras a prazo."

A Caixa fechou acordo em 93% dos 145 atendimentos realizados no primeiro dia do feirão. Os valores giram em torno de R$ 5 mil, de acordo com Neiva Mácimo, gerente de recuperação de crédito do banco em São Paulo. "Os maiores descontos são para os pagamentos à vista, mas também é possível negociar prazo."

Outras sete instituições participam do evento: Banco Santander, Santander Financeira, Casas Bahia, Banco Panamericano, Banco HSBC, Losango Financeira e AES Eletropaulo. O objetivo é que pessoas físicas e jurídicas procurem seus credores para renegociar débitos atrasados.

Segundo levantamento da Serasa Experian divulgado neste mês, cada inadimplente brasileiro tem, em média, quatro dívidas não honradas. A pesquisa apontou alta de 19,1% na inadimplência no primeiro semestre deste ano, comparado com o mesmo período do ano passado.

O economista da Fundação Getúlio Vargas Samy Dana explica que os consumidores assumem dívidas sem ter consciência do tempo que levarão para quitá-las. "No Brasil, as dívidas duram mais que a maioria dos casamentos."

A negociação é interessante também para os credores, como lembra o presidente da Serasa Experian, Ricardo Loureiro. "As instituições também sofrem com a inadimplência, pois, se não entra dinheiro no caixa, não conseguem pagar empregados. É ruim para toda economia."

Insatisfação. Thaize Gimenez procurou o Banco Santander para sair da inadimplência. No feirão, descobriu que a carteira de crédito havia sido vendida para uma financiadora. "Agora eu vou ter de tratar com outra empresa, que não vai querer fazer negócio. Não sei como vou conseguir pagar", disse Thaize, que deve quase R$ 4 mil.

Dana explica que os bancos vendem as dívidas a empresas que pagam valores baixos - cerca de 30% do total. "Elas são especialistas em fazer acordos com os devedores." Mas ele alerta que não é permitido que essas empresas provoquem constrangimento nos devedores.

Ao consumidor, o economista aconselha que não se comprometa com a financiadora se não tiver condições de arcar com o valor. "É importante que o cliente seja transparente e informe quanto pode pagar para não ficar mais endividado."

O Feirão Limpa Nome funciona das 9h às 17h, até sábado, na Expo Barra Funda, na zona oeste de São Paulo. Os interessados devem levar CPF e documento de identidade com foto.

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