Felipe Rau/Estadão
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Magazine Luiza dá frete grátis e diz não estar reagindo à Amazon

Frederico Trajano, presidente do Magalu, critica a ineficiência lojística do País e carga tributária; 'vender no e-commerce é fácil, difícil é ter lucro'

Fabiana Holtz e Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2019 | 11h18
Atualizado 26 de setembro de 2019 | 08h31

Quase duas semanas depois de a Amazon lançar frete grátis para assinantes de seu serviço, o Magazine Luiza reagiu à concorrência da gigante americana da internet. Hoje, em São Paulo, num evento descolado nos moldes de grandes empresas digitais, Frederico Trajano, presidente do Magalu reuniu cerca de 1,2 mil pessoas, entre aspirantes e participantes do seu marketplace. Ele anunciou que a companhia vai arcar com as despesas de frete no País para as vendas do marketplace feitas por meio do seu aplicativo (APP). O benefício é  para vendas acima de R$ 99, como já ocorre com os produtos próprios comercializados pelo Magazine Luiza.

“Não foi um movimento provocado pela Amazon”, reagiu Trajano, admitindo que essa decisão deve impulsionar as vendas da Black Friday, que corre no final de novembro. Ele argumentou que hoje são muitos concorrentes do seu marketplace, não apenas a Amazon. E que ele está atento a todos, mas muito mais focado no consumidor.  Para conseguir ter prazo e sustentabilidade de frete grátis, Trajano disse que é preciso estar próximo do cliente e isso, na sua opinião, o Magalu já consegue. “Hoje temos capilaridade com 16 CDs e mil lojas que também operam como mini CDs.”

A companhia vai cobrir a despesa com  entrega limitada a R$ 80. O frete grátis será testado entre outubro e dezembro deste ano. Para usufruir desse benefício, as 8 mil empresas que participam hoje do marketplace terão de despachar o produto para o cliente em até um dia útil após a compra e usar o Magalu Entregas, a rede de transportadores credenciados pela empresa.  Hoje 70% dos 8 mil sellers já usam o Magalu Entregas, que equivale a 49% do volume de pedidos.

O Magalu vai disponibilizar para os participantes da sua malha de entregas, que inclui até Correios, contratos com grandes transportadoras de mercado e a sua frota própria, como o sistema de rastreamento do Magazine, e pelo mesmo custo que a empresa paga por esse serviço.

“Vamos subsidiar 100% os sellers limitado a R$ 80 do valor do frete”, disse Trajano. Ao exigir que o produto seja postado em até um dia útil após a compra, o executivo explica que a intenção é diminuir o prazo de entrega do marketplace. Hoje 60% das vendas online do Magazine Luiza são entregues em até dois dias, o que, segundo ele, já é um padrão internacional. Já as entregas do marketplace demoram mais de quatro dias.

Trajano disse que essas condições estabelecidas para o frete grátis contemplam a maior parte das vendas. “Limitamos a R$ 80 o subsídio ao frete porque, caso contrário,  acabaríamos vendendo, por exemplo, muito um produto de São Paulo para o Nordeste, o que não tem lógica.”

O executivo não acredita que o frete grátis terá impacto significativo nas despesas da companhia do último trimestre. Hoje 70% da venda dos produtos próprios do Magazine comercializados pelo aplicativo têm frete grátis e a sua  venda online dá lucro. Ele admitiu que a companhia decidiu abrir mão de parte do resultado de curto prazo, tendo em vista que esse cliente do aplicativo, que é mais fiel, vai trazer resultados no longo prazo.

Vender no e-commerce é fácil, difícil é ter lucro

Apesar disso, ele disse que ainda é difícil, em geral, ter rentabilidade com o comércio online no Brasil. “Vender é fácil no e-commerce, difícil é ter lucro.” Na sua visão, logística ineficiente, frete caro e carga tributária alta estão entre os principais obstáculos para o setor. “Temos uma das logísticas mais ineficientes do mundo, com uma taxa de pontualidade inferior a 90%, no Brasil como um todo.

Outra novidade anunciada pela companhia foi a redução taxa no desconto de recebíveis para os participantes  do marketplace. A taxa de desconto, que hoje é, em média, de 1,42% ao mês, cai para 0,99% ao mês a partir de outubro. “Isso vai reduzir muito os custos,  sou um varejista e sei as dores para dar lucro no e-commerce.”

Ainda em fase experimental, o cliente da Netshoes que comprar pelo aplicativo poderá retirar o produto nas lojas do Magazine  Luiza no mês que vem na cidade de São Paulo. A partir de novembro, após a Black Friday, essa modalidade de entrega será valida para os participantes do marketplace.

25 de Março

Para incentivar a formalização das empresas, o Magazine vai disponibilizar gratuitamente a emissão de nota fiscal eletrônica para os participantes do seu marketplace.

Trajano disse  que não quer o seu marketplace  seja conhecido como a rua 25 de Março. “Até gosto darua 25 de Março, mas o marketplace não pode ser terra de ninguém”, fazendo referência ao comércio informal. Segundo ele, 100% dos marketplaces,  fora o do Magazine Luiza, operam sem controle de emissão de nota fiscal. Na sua opinião, ser formal é o caminho para crescer. Para fundamentar essa opinião, ele disse que só 2% dos vendedores informais viram grandes empresas.

Presente ao evento, Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, revelou que a meta da companhia  é ser o primeiro marketplace do Brasil. Hoje, com faturamento que deve superar R$ 2 bilhões este ano, o marketplace ocupa a terceira posição entre os maiores em vendas. A cada mês, são incorporados cerca de mil novos vendedores no marketplace, especialmente neste momento de desemprego elevado e que o empreendedorismo virou uma alternativa de sobrevivência. Para Luiza, na era digital  o diferencial do varejo será o tratamento dado ao cliente. “Todos vão ter APP.”

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