Venezuela amplia gastos em energia na Bolívia

A Venezuela aumentará sua presença no setor energético na Bolívia, segundo anúncio do ministro de Hidrocarbonetos boliviano, Andrés Solíz Rada, nesta quarta-feira. Solíz Rada informou que o governo venezuelano do presidente Hugo Chávez financiará a construção de uma refinaria e construirá no país "modernos" postos de gasolina da PDVSA, a petroleira estatal da Venezuela. As iniciativas, como afirmou, serão alternativas energéticas para a Bolívia - país hoje dependente do diesel e da gasolina extraídos pela Petrobras e outras empresas instaladas no país. "Vamos assinar vários projetos com a Venezuela no retorno da viagem que o presidente Evo Morales está fazendo na Europa", informou o ministro boliviano. A previsão é de que estes acordos serão assinados, em La Paz, no próximo dia 18, com a presença de Chávez. "Alguém falou que os venezuelanos seriam os novos vampiros da Bolívia, que só estavam aproximando-se para chupar nosso sangue", disse Solíz Rada. "Mas isso não é verdade. Se a Venezuela quisesse ganhar dinheiro mudava o rumo do cano (das exportações de petróleo) para os Estados Unidos". Segundo Solíz Rada, a Venezuela está oferecendo "um bom negócio" à Bolívia, com 90% para os bolivianos e apenas 10% para a PDVSA. O ministro informou ainda que a Bolívia passará também a importar diesel da Venezuela, como alternativa à dependência que tem hoje da Petrobrás e outras transnacionais instaladas no país. Atualmente, segundo técnicos do setor, ao se extrair e refinar o gás também está se produzindo o combustível - gasolina e diesel - consumido pelos bolivianos."Revolução nacional" Com a idéia de importar diesel venezuelano e de se construir a refinaria, que vai separar estes componentes energéticos, a Bolívia pretende reduzir sua necessidade dos trabalhos das empresas que estão no país, incluindo a Petrobras. O anúncio sobre a maior presença venezuelana no setor energético da Bolívia ocorre num momento em que o governo boliviano inicia uma queda de braço com empresas como a britânica British Gás e a francesa Total, além da Petrobras. "Estamos vivendo um processo de revolução nacional que, pela primeira vez, inclui a vontade dos movimentos sociais, dos povos indígenas", destacou Solíz Rada.

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