Venezuela assina o Protocolo de Adesão ao Mercosul

A Venezuela assinou nesta terça-feira o Protocolo de Adesão ao Mercosul, que fixa um prazo de quatro anos para a plena incorporação do país andino ao bloco fundado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai em 1991. O documento foi assinado às 20h05 (21h05 de Brasília), pelos presidentes brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva; argentino, Néstor Kirchner; paraguaio, Nicanor Duarte; uruguaio, Tabaré Vásquez; e venezuelano, Hugo Chávez, em um ato transmitido em rede nacional de rádio e televisão.O protocolo será enviado aos Parlamentos dos cinco países nos próximos 30 dias. Em um prazo máximo de seis meses, o documento terá que ser ratificado para concretizar a entrada plena da Venezuela no Mercosul.No ato esteve presente como "convidado especial" o presidente da Bolívia, Evo Morales, país associado ao bloco regional junto com Colômbia, Equador, Chile e Peru."Não está muito longe o dia em que estaremos em La Paz para que a Bolívia também se adira como membro do Mercosul", afirmou Lula durante seu discurso, no qual destacou o ingresso venezuelano por sua contribuição tanto econômica como política.Tanto o governante brasileiro como seu colega argentino concordaram que o bloco enfrenta "problemas" que os membros tentam "resolver bravamente" e que a "união" permitirá à região negociar em melhores condições no cenário multilateral.Contribuição"A entrada da Venezuela é uma contribuição inestimável para o Mercosul (...). Hoje, mais que nunca, temos a sensação de que estamos transitando em direção a uma efetiva integração", disse Kirchner, que destacou que a América do Sul é uma região "de paz" que procura o progresso com igualdade.Nesse sentido, o governante paraguaio ressaltou que a "América Latina necessita de uma voz mais potente, mais clara" no cenário internacional, e que "a incorporação da Venezuela ao Mercosul será um potente amplificador para que a voz (do continente) repercuta e persuada as regiões mais poderosas do mundo"."Precisamos de mais que uma tarifa comum. Precisamos de um projeto comum", uma voz para dizer ao mundo industrializado que a região não precisa de doações, mas de "mais trabalho, mais tecnologia, mais desenvolvimento", acrescentou Duarte.O governante uruguaio coincidiu com seus colegas ao dizer que o "norte fundamental do Mercosul dever ser trabalhar para melhorar a qualidade de vida" dos sul-americanos, além das necessárias melhorias nas áreas comercial e econômica.O texto do Protocolo de Adesão da Venezuela ao Mercosul assinado hoje foi aprovado pelos chanceleres do bloco em 17 de junho, em uma reunião na capital da Argentina, país a cargo da Presidência temporária do bloco regional.A próxima cúpula ordinária do bloco será em 20 e 21 de julho, em Córdoba (Argentina), onde os chefes de Estado pretendem assinar o novo código alfandegário comum e fechar acordos comerciais com Cuba, Israel e Paquistão.

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