Venezuela deprime comércio no Mercosul

Segundo principal destino das exportações brasileiras na área do Mercosul até 2015, atrás apenas da Argentina, a Venezuela se encaminha para se tornar um mercado quase marginal para o Brasil. Em séria crise econômica, política e social, agravada pela incompetente ação de um governo movido a ideologias e preconceitos, a Venezuela enfrenta desabastecimento interno e grandes dificuldades financeiras.

O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2016 | 03h14

São poucos os empresários brasileiros que se arriscam a vender para aquele país, por não terem confiança de que vão receber, como avalia a Confederação Nacional da Indústria (CNI). As exportações brasileiras para a Venezuela não passaram de US$ 700 milhões de janeiro a julho deste ano, 63% menos do que exportou no mesmo período de 2015 (US$ 1,8 bilhão).

No bloco, a Venezuela hoje é o país que menos importa ao Brasil. Apesar do estado caótico do abastecimento nas cidades venezuelanas, ainda são vendidos alimentos básicos produzidos no Brasil (excetuadas carnes), mas o valor total é inferior ao das vendas para o Chile, que não é membro do Mercosul.

Pode-se compreender, portanto, a descrença dos empresários brasileiros. Para o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Eduardo Abijaodi, o “rebaixamento” da Venezuela no Mercosul por questões político-institucionais, decorrentes da incapacidade do país governado por Nicolás Maduro de cumprir seus compromissos internacionais, afetaria pouco nossas exportações. “É sempre ruim perder um mercado”, disse ele, “mas nesse caso estamos quase no zero.” O Brasil assinou acordo com o governo de Caracas que garante o mesmo nível de tarifas, se eventualmente a Venezuela deixar o bloco.

O progressivo decréscimo das exportações para a Venezuela – que chegaram em 2008 ao pico de US$ 5,2 bilhões – tem reduzido as vendas para o Mercosul, que, no primeiro semestre deste ano, registram recuo de 13,9%, mais que o dobro da queda das vendas externas brasileiras totais no período (5,9%).

Isso mostra a importância de uma nova rodada de redução de tarifas no comércio intrazonal. Espera-se que as gestões desenvolvidas pela diplomacia brasileira no sentido de flexibilizar as regras que regem o Mercosul – para permitir que o Brasil e seus parceiros possam realizar acordos bilaterais com países fora do grupo – tenham um salutar efeito liberalizante para o comércio dentro do bloco.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.