Venezuela faz disparar exportação de Roraima

Estado que tem servido de porta de entrada para refugiados do país vizinho viu as exportações do agronegócio crescerem 179% no último ano

Coluna do Broadcast Agro, O Estado de S.Paulo

19 Fevereiro 2018 | 05h00

A crise da Venezuela não traz a Roraima apenas problemas. O Estado que tem servido de porta de entrada para refugiados do país vizinho viu as exportações do agronegócio crescerem 179% no último ano, de US$ 14 milhões em 2016 para US$ 40 milhões, e os venezuelanos receberam a maior parte. “Por causa da crise, importadores do país buscaram produtos alimentícios em Roraima, onde o custo é muito mais baixo do que em outras regiões brasileiras”, explica Pedro Henrique de Souza Netto, assessor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que antecipou à coluna estudo sobre o assunto. A agropecuária representa praticamente toda a pauta exportadora de Roraima, de R$ 41,4 milhões no ano passado. Entre os produtos demandados pelos venezuelanos estão açúcar, grãos e cereais, especialmente arroz.

>> Recuperação. O estudo da CNA também apontou que as exportações do agronegócio brasileiro para a União Europeia tiveram em 2017 o primeiro crescimento em seis anos, avançando 1,5% ante 2016, para US$ 16,95 bilhões. A alta foi puxada pelas vendas de milho, que saíram de US$ 180 milhões para US$ 750 milhões entre os períodos.

>> Sem pressa. O diretor de Portos da Cargill no Brasil, Clythio Buggenhout, aguarda autorização de órgãos ambientais para a construção de terminal portuário em Abaetetuba, município próximo ao Porto de Barcarena, no Pará. A licença pode sair em até um ano e o terminal entrar em operação entre 2022 e 2025. Não há pressa. A trading já pode exportar pelo Pará até 5,5 milhões de toneladas por ano via terminal de Santarém. Espera movimentar 4 milhões em 2018 e alcançar a capacidade total em cinco anos.

>> Pensando à frente. O investimento da trading se deve ao fato de que os navios exportadores têm aumentado de tamanho. Enquanto o calado do Porto de Santarém (foto abaixo) é de no máximo 11,5 metros – que suporta embarcações de até 55 mil toneladas –, Barcarena comporta 13,5 metros, para 66 mil toneladas, podendo ainda chegar a 16 metros. “Embora isso não seja um problema para nós hoje, a maior parte dos navios triplicou de tamanho em 20 anos e os de grãos seguirão essa tendência”, diz Buggenhout à coluna. Além disso, concorrentes como Bunge, ADM e Cofco já possuem terminais no vizinho Barcarena.

>> Resposta. Com a onda de consolidação no setor de defensivos agrícolas, empresas fabricantes de genéricos esperam mais rapidez do Ministério da Agricultura no registro dos produtos cujas patentes já expiraram. No ano passado, o número de produtos liberados, incluindo os genéricos, aumentou 46% ante 2016, passando de 277 para 405. Segundo Renato Seraphim, presidente da fabricante Albaugh, haverá um leque maior de opções para uso em lavouras e custos mais competitivos ante os dos Estados Unidos. “Lá, 80% da receita do setor refere-se a genéricos. Aqui, é metade disso”, conta.

>> Divisão. O braço de açúcar e bioenergia da Bunge no Brasil silenciou sobre as declarações do CEO da companhia, Soren Schroder, de que está em estudo a venda ou o desmembramento das usinas da multinacional no País. Um analista do setor avaliou que a localização de seis das oito plantas sucroenergéticas, entre São Paulo e Minas Gerais, facilitaria o desmembramento para a aquisição por outros grupos. 

>> Espaço disputado. Agricultores do Paraná se mobilizam para manter, nas eleições neste ano, representatividade no Congresso. “Imaginamos que haverá uma renovação de deputados e isso nos preocupa, porque pode afetar a Frente Parlamentar da Agropecuária”, diz o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Paraná, Márcio Bonesi. A Aprosoja-PR está pedindo aos associados que busquem candidatos afinados com temas de interesse do setor. O Paraná é o segundo maior produtor de soja e milho do Brasil.

>> Escaldados. Desde a Operação Carne Fraca, deflagrada em março do ano passado pela Polícia Federal, as empresas de proteína animal vêm sendo obrigadas a elevar o investimento em qualidade dos produtos. A Divisão de Carnes da JBS, por exemplo, lançou o Selo da Cadeia de Fornecimento, com auditoria do Serviço Brasileiro de Certificações, que atesta o cumprimento de padrões internacionais em questões como bem-estar animal e rastreabilidade da matéria-prima. A ideia é que até o fim do ano todas as unidades da divisão operem com esse protocolo único e padronizado.

  

* Com Leticia Pakulski

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