Venezuela fica com a presidência do Mercosul

Reunião entre os chanceleres do Brasil e do Uruguai formalizou decisão, contrariando pretensão do Paraguai de voltar ao bloco e assumir comando semestral

ARIEL PALACIOS, ENVIADO ESPECIAL / MONTEVIDÉU, O Estado de S.Paulo

11 Julho 2013 | 02h08

Pela primeira vez na história do Mercosul a Venezuela assumirá a presidência pro tempore do bloco do Cone Sul. A posse, que ocorrerá amanhã durante a cúpula do Mercosul em Montevidéu, capital do Uruguai, coloca a pique as aspirações do Paraguai de voltar ao bloco - após uma suspensão de um ano - e ficar com o comando semestral da organização.

A confirmação de que o país caribenho, presidido por Nicolás Maduro, sucessor do presidente Hugo Chávez, vai liderar o Mercosul durante seis meses foi formalizada na terça-feira em Brasília durante o encontro entre os chanceleres do Brasil e do Uruguai, Antonio Patriota e Luis Almagro.

"No dia 12 de julho (data do encerramento da cúpula de presidentes do Mercosul), o Paraguai ainda estará suspenso. Portanto, a presidência pro tempore seguirá a ordem alfabética que usou sempre para a rotação. Desta forma será transferida para a Venezuela", disse Almagro.

O anúncio caiu como um balde de água fria ontem em Assunção, onde o governo do presidente Federico Franco esperava um sinal de reconciliação com o Mercosul, seguindo um aceno dado há poucos dias pelo presidente venezuelano Nicolás Maduro, de que poderia ceder a presidência pro tempore ao Paraguai. O chanceler paraguaio, José Félix Fernández, disse que a decisão dos países sócios "não constrói coisa alguma (no Mercosul)". "Ao contrário, dificulta a volta do Paraguai."

A suspensão também provocou irritação na equipe do sucessor de Franco, o presidente eleito Horacio Cartes, que tomará posse em 15 de agosto. Cartes havia solicitado ao Mercosul, como um "gesto de boa vontade", um adiamento da entrega da presidência pro tempore até meados de agosto, para resolver a situação do Paraguai.

Suspensão. O Paraguai foi suspenso em julho de 2012 pelos sócios do Mercosul, que consideraram que o Parlamento paraguaio havia "interrompido" a "ordem democrática" ao aprovar o impeachment de Fernando Lugo. A presidência pro tempore é rotativa entre os sócios do Mercosul e troca a cada seis meses. A sequência, desde a fundação do bloco, em 1991, é por ordem alfabética. A suspensão do Paraguai alterou a ordem.

Os paraguaios deveriam ter assumido a presidência temporária do Mercosul em dezembro, após o Brasil. Porém, o comando saltou o país e foi direto para o Uruguai. Sem o Paraguai formalmente no bloco, a Venezuela é o país seguinte pela ordem alfabética.

A Venezuela entrou no Mercosul em julho durante a cúpula na cidade argentina de Mendoza. A entrada do país só foi possível graças à suspensão do Paraguai na mesma reunião. Os paraguaios eram o único obstáculo ao ingresso venezuelano no bloco, por causa da oposição do Senado paraguaio.

A presidência pro tempore venezuelana será marcada pelo avanço das negociações para incorporar a Bolívia como o sexto sócio pleno do bloco, além de avaliar o pedido do Equador para integrar o Mercosul. Os países sócios também assinarão acordos de associação estratégica com a Guiana e o Suriname para que os dois pequenos países possam no futuro ser aceitos como associados do bloco.

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