Venezuela no Mercosul inicia etapa política do bloco

O jornal argentino La Nación afirmou em editorial que a entrada da Venezuela no Mercosul inicia uma etapa "política" do bloco.Para o diário, foi política a promessa de Lula à Bolívia de que o país seria incorporado ao Mercosul, assim como foram políticas as reclamações dos presidentes Nicanor Duarte (Paraguai) e Tabaré Vázquez (Uruguai) sobre supostas disparidades dentro do bloco econômico.Nem por isso, diz o La Nación, essas iniciativas são falsas, assim como não são falsos os conflitos entre os membros do bloco que, "em tom patriarcal", diz o jornal, Lula quer tratar apenas como "divergências"."Com tom patriarcal, Lula da Silva procurou deixar claro que nem sempre coincide com o anfitrião, Hugo Chávez, mas advertiu que as divergências não devem ser confundidas com conflitos", diz o jornal, referindo-se ao discurso durante a reunião que marcou a adesão da Venezuela ao bloco."Sobre a presença de Lula no ato de ontem", continua o periódico, "houve várias especulações: até se chegou a dizer que não ia participar pelo temor de se ver prejudicado por Chávez na sua campanha pela reeleição".Para o diário argentino, o presidente acabou adotando um tom "realista", defendendo que o Mercosul é um projeto a ser continuado por Estados, independentemente dos atuais presidentes.AbraçoOutro jornal argentino, o Clarín, destacou que a reunião em Caracas deu espaço para um novo gesto de distensão entre Kirchner e Tabaré Vázquez, cujas relações ficaram estremecidas com a crise das papeleiras.Os dois presidentes deram um "caloroso abraço" e trocaram várias palavras entre sorrisos, antes de ocupar as suas respectivas cadeiras na cerimônia.O Tribunal Internacional de Haia deverá emitir em breve um parecer sobre a disputa em torno da instalação de fábricas de celulose na fronteira entre os dois países.O Clarín e o La Nación também destacaram o reforço da "sociedade" entre o presidente argentino e o venezuelano Hugo Chávez, com a assinatura de um acordo que prevê o lançamento de papéis binacionais no mercado para financiar projetos de infra-estrutura.Para o La Nación, trata-se de uma "aliança estratégica". "Se o mundo é dos audazes, Hugo Chávez quer engrossar suas fileiras e Néstor Kirchner não quer ficar de fora."

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