Venezuela pode importar eletricidade de vizinhos, incluindo Brasil

País tem sofrido com interrupções no fornecimento de energia elétrica 

Gabriel Bueno, da Agência Estado,

17 de fevereiro de 2010 | 12h02

A Venezuela, que sofre com interrupções no fornecimento de eletricidade, afirmou que considera propostas formais de Brasil e Colômbia para receber energia.

"Se há uma oferta da parte da Colômbia, bem, vamos analisá-la, assim como vamos fazer com uma oferta feita pelo Brasil", afirmou o ministro de Eletricidade da Venezuela, Alí Rodríguez, em comunicado divulgado na noite de terça-feira. Ele notou, porém, que o governo do presidente Hugo Chávez apenas aceitará uma iniciativa do tipo caso seja considerada necessária.

Funcionários colombianos teriam oferecido, no fim de semana, o envio de eletricidade à Venezuela, para ajudar a solucionar a crise energética no vizinho. Esses funcionários teriam dito que a Colômbia tem mais eletricidade que o necessário no momento.

A aparente oferta ocorre apesar de uma longa disputa entre os dois países. Chávez é um forte crítico da aproximação do governo do presidente colombiano, Álvaro Uribe, com os Estados Unidos.

Sobre o Brasil, Rodríguez lembrou que a Venezuela atualmente exporta uma pequena quantidade de eletricidade para o País. Segundo o ministro, agora o Brasil propôs que a Venezuela passe a receber energia, ao invés de enviá-la.

Uma forte seca na Venezuela, que depende fortemente de hidrelétricas para seu fornecimento, causou a crise no setor, em um contexto de aumento da demanda. Vários especialistas acusam, também, o governo local de não fazer os investimentos necessários para evitar o problema.

Como resultado, o governo determinou nos últimos meses que a eletricidade fosse racionada, impondo blecautes e limitando o horário de funcionamento de lojas, escritórios do governo e outros locais.

Rodríguez afirmou que qualquer plano de importar eletricidade de vizinhos seria algo secundário à iniciativa principal de resolver o problema energético venezuelano. O governo local tem um plano para expandir a capacidade de geração de energia.

O ministro disse, mais cedo neste mês, que o governo deve aumentar a capacidade instalada em 17% até 2010, construindo novas plantas energéticas e consertando algumas mais antigas. A ideia é aumentar a capacidade instalada da Venezuela para quase 28 gigawatts, em comparação aos quase 24 gigawatts do início deste ano. Muito dessa capacidade viria de complexos que gerariam energia a partir do petróleo e também de termoelétricas que utilizam gás, disse o ministro.

Apenas um quarto da eletricidade da Venezuela, um país rico em petróleo, é derivada deste produto ou de termoelétricas a gás. Mais de 70% da eletricidade venezuelana vem das hidrelétricas.

O consumo de eletricidade per capita no país está bem abaixo dos países desenvolvidos, mas é o maior na América Latina. Analistas notam que a relutância do governo em aumentar os preços da eletricidade, durante anos de forte inflação, ajudou a fazer a demanda crescer. Isso, por outro lado, reduziu os incentivos para novos investimentos. As informações são da Dow Jones.

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