Venezuela usa reservas para preservar bolívar

O Banco Central da Venezuela admitiu a perda de US$ 1 bilhão na semana passada por causa da forte pressão sobre a moeda local, o bolívar, provocada pela compra em massa de dólares. O diretor do BC, Domingo Maza reconheceu que a compra de dólares continua fora dos parâmetros normais e afirmou que poderá acontecer uma rápida "queima" de reservas internacionais se a situação continuar. "Se a pressão se mantiver nos níveis verificados na sexta-feira passada, nenhuma reserva, por maior que seja, poderá aguentar", disse Maza ao jornal El Universal.Maza afirmou que o BC utilizará os recursos disponíveis para defender o bolívar, embora com comedimento. "Não podemos esgotar as reservas internacionais", explicou. Na sexta-feira, o dólar fechou em 760 bolívares, perto do patamar do fechamento do ano, que foi fixado pelo BC como referência para o sistema de bandas deste ano. Esta referência estabelece uma desvalorização de 10% do bolíviar frente ao dólar para este ano, embora os analistas estimem que a moeda local esteja sobrevalorizada em 50%.Na sexta-feira, traders confirmaram que a demanda por dólares continua acima do normal, com o mercado na expectativa de que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anuncie medidas econômicas, que incluiriam controles sobre a movimentação de capital, no próximo dia 15. Ontem, Chavez afastou sua vice-presidente, Adina Bastidas, e a substituiu por Diosdado Cabello, um de seus antigos companheiros na fracassada tentativa de golpe militar em 1992. Bastidas vinha sendo fortemente criticada pela elite empresarial, que alegava que seu trabalho em 49 novas leis deram muito controle ao Estado sobre setores que vão do agrícola ao petroleiro. Chavez, que vinha defendendo o trabalho de Bastidas, classificou o afastamento da vice-presidência como um "ajuste". No mês passado, sindicatos e empresários pararam o país por um dia para protestar contra as leis defendidas por Bastidas.

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