Venezuela vai liquidar 2 bancos e ameaça com nacionalização

Sob administração estatal há 10 dias, instituições foram consideradas insolventes e 'severamente' comprometidas

DANIELLE CHAVES, Agencia Estado

30 de novembro de 2009 | 11h23

O ministro de Finanças da Venezuela, Ali Rodriguez, afirmou nesta segunda-feira, 30, que os quatro bancos que sofreram intervenção do governo no dia 20 fecharão as portas e dois deles serão liquidados. O governo vai liquidar o Banco Canárias de Venezuela e o Banco Provivienda. A intervenção revelou que as duas instituições eram insolventes e tinham sido "severamente comprometidas", disse Rodriguez.

O Banco Confederado e o Bolivar Banco, os outros dois bancos que passaram a ser operados pelo governo venezuelano na semana passada, ficarão com as portas fechadas durante a intervenção. Quando ordenou a intervenção, o governo afirmou que as instituições continuariam operando normalmente. Os quatro pequenos bancos, que representam cerca de 6% dos depósitos do país, foram colocados sob administração estatal em 20 de novembro.

 

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse no último domingo que pode nacionalizar bancos privados por se recusarem e dar empréstimos aos pobres e por não ajudarem o bastante no desenvolvimento do país. Em seu programa semanal de televisão, Chávez disse que o propósito dos bancos não é enriquecer um pequeno grupo de pessoas, mas ajudar no desenvolvimento do país, incluindo a ampliação de crédito doméstico.

Falando a "todos os bancos privados do país", ele retoricamente perguntou: "Vocês querem que eu nacionalize os bancos?". "Eu não tenho problemas com isso porque os bancos não querem ampliar o crédito aos pobres, eles não cumprem com o propósito de existência de um banco". Falando em seu programa semanal "Alô Presidente", ele acrescentou: "Estou dizendo aos banqueiros do país, aquele que errar perde, tomarei o banco, não importa o seu tamanho".

 

No poder há uma década, Chávez nacionalizou grandes setores da economia desde 2007, incluindo as maiores empresas de telefonia, eletricidade e US$ 30 bilhões em projetos para extrair petróleo. Apesar da recuperação do preço do petróleo em relação ao ano passado, a economia da Venezuela, membro da Opep, recuou 4,5% no terceiro trimestre ante igual período de 2008.

O líder venezuelano não explicitou nenhuma ligação entre algum banco específico e os problemas na economia do país.

(com informações da Dow Jones e da Reuters)

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