''Vento contrário ameaça a economia'', alerta o G-8

Preços do petróleo e dos alimentos representam risco sério para a atividade econômica global, alertam os representantes dos países ricos

EFE, O Estadao de S.Paulo

14 de junho de 2008 | 00h00

O grupo dos sete países mais desenvolvidos mais a Rússia (G-8) alertou ontem para "os ventos contrários" que ameaçam o já lento crescimento econômico mundial por causa dos elevados preços do petróleo e dos alimentos. Os ministros de Finanças dos Estados Unidos, do Reino Unido, da França, Itália, Alemanha, Rússia, do Japão e do Canadá encerraram ontem, em Osaka, Japão, uma reunião de dois dias na qual cogitou-se a possibilidade de haver movimentos especulativos por trás da escalada do preço do petróleo. A reunião, uma das mais importantes antes da cúpula do G-8, em Hokkaido, também no Japão, em julho, terminou com um comunicado conjunto no qual os países alertam que a alta do preço das matérias-primas ameaça o crescimento e pedem um aumento da produção de petróleo."Temos sérias preocupações com o forte aumento do preço do petróleo, que superou recordes em termos nominais e reais, e com seu impacto na estabilidade econômica global, no bem-estar das pessoas e nas previsões de crescimento", ressaltaram. Por trás dessa alta estão "o aumento da demanda mundial e a pouca oferta", além de elementos como "as preocupações geopolíticas e fatores financeiros", isto é, movimentos especulativos Embora não tenha havido um acordo sobre a questão - os EUA rejeitam veementemente, enquanto a Itália defende -, o grupo decidiu encomendar ao Fundo Monetário Internacional (FMI) um estudo sobre o impacto da especulação na alta do petróleo. Só o ministro de Finanças italiano, Giulio Tremonti, foi claro ao apontar a especulação como um dos fatores da escalada do petróleo, que recentemente beirou os US$ 140 o barril, e ao pedir que se interrompa a alta da commodity. No entanto, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, admitiu que esse assunto foi tratado pelos ministros durante a reunião e será tarefa de seu organismo analisar até que ponto a especulação está afetando o petróleo. Para ele, há razões "de economia real" por trás desse forte encarecimento das matérias-primas, principalmente o desequilíbrio entre oferta e demanda, apesar de admitir que isso não explica o forte aumento.Os participantes da reunião constataram ainda que a economia mundial avança em ritmo lento, apesar de ressaltarem que a desaceleração não foi tão grave como se temia. Como é comum, os ministros lançaram uma mensagem de confiança no futuro.

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